Categoria: Distúrbios Respiratórios

Fatores de risco associados com transtornos respiratórios em pré-termos tardios

Fatores de risco associados com transtornos respiratórios em pré-termos tardios

Risk factors associated with respiratory disorders in late preterm infantsSuga S, Yasuhi I, Aoki M, Nomiyama M, Kubo N, Kawakami K, Okura N, Okazaki K, Ota A, Kawada K.J Matern Fetal Neonatal Med. 2016;29(3):447-51. doi: 10.3109/14767058.2014.1003804. Epub 2015 Feb 25.PMID: 25714477 Clinical Trial.

Apresentação:Tatiana Beleza MR3 Neonatologia.   Coordenação: Marta D.R de Moura.

A análise  multivariadas de regressão logística ajustando para fatores de confusão, a idade gestacional (IG) ao nascimento (odds ratio ajustada 0,40 por semana [intervalo de confiança de 95%, 0,25-0,61]), parto cesáreo (4,18 [2.11–8.84]) e um baixo índice de Apgar (33,3 [9,93–121,3]) foram fatores de risco independentes associados com desconforto respiratório nos prematuros tardios.

Quanto ao esteroide ante-natal nos prematuros tardios:trouxemos informações de 2017 mostrando que a evidência é insuficiente para justificar uma recomendação de esteroide pré-natal após 34 semanas, mas, no entanto um curso deste tratamento pode ser indicado em situações clínicas associadas com alto risco de severa síndrome do desconforto respiratório, principalmente nos caso de um nascimento por cesariana planejada (apenas um curso),  com atenção no pós-natal para hipoglicemia, icterícia, hipotermia e dificuldade de digestibilidade

COVID-19 EM RECÉM-NASCIDOS E ASSISTÊNCIA RESPIRATÓRIA: EVIDÊNCIAS ATUAIS E ABORDAGEM PRÁTICA

COVID-19 EM RECÉM-NASCIDOS E ASSISTÊNCIA RESPIRATÓRIA: EVIDÊNCIAS ATUAIS E ABORDAGEM PRÁTICA

XXVII Encontro Internacional de Neonatologia da Santa Casa de São Paulo (Versão Inédita Online).

 Guilherme Sant´Anna (Canadá).

Realizado por Paulo R. Margotto.Neurossonografista das UTI Neonatais do Hospital Santa Lúcia, da Maternidade Brasília e Hospital Materno Infantil de Brasília.pmargotto@gmail.com. www.paulomargotto.com.br.

Entre os destaques: não há confirmação convincente de que haja transmissão vertical da COVID-19 no atual momento, a maior parte dos bebês não apresentam problema algum e a transmissão horizontal precoce é possível. Assim, o desconforto respiratório logo após o nascimento não é causado pela COVID-19 e sim pela prematuridade e outras morbidades. Talvez o problema maior seja nos Profissionais de Saúde que estão trabalhando dentro da UTI e os pais. Quanto à abordagem respiratória: seguir as normas do Programa de Reanimação, com pequenas modificações comentadas a seguir, minimizar a exposição do Profissional (menor número de pessoas na Sala de Parto), encaminhar o RN à UTI numa incubadora pelo caminho mais curto. Quanto à transmissão: ocorre por gotículas de ar que não tem capacidade de ficar flutuando no ar a longa distância (manter a distância entre 1-2 metros), contato com superfícies, aerossóis (vírus pode permanecer viável e contagioso em aerossóis por horas). Os adultos transmitem pela fala, tosse e respiração (no caso do RN, quando chora). Não se conhece a quantidade de vírus que contém essas partículas, porque a carga viral é diferente em cada paciente. O grande problema é quando produzimos aerossol através do procedimento ventilação mecânica, ventilação não invasiva, aspiração oral, nasal e traqueal, cânula de alto fluxo, ambú e máscara. No entanto, esses procedimentos são pobres na produção de aerossóis e os modelos matemáticos demonstram que a chance do Profissional de Saúde pegar a infecção por aerossol é muito baixa. Os Profissionais de Saúde que usaram máscaras cirúrgicas ficaram tão protegidos quando a N95. Não há um quadro típico de SARS-COV-2 em RN. Revisão sistemática de ventilação manual, antes ou depois da intubação, não foi associada a um aumento do risco de transmissão viral. Já a intubação traqueal aumenta 3 vezes mais a chance de adquirir a infecção (essa deve ser realizada pelo colega de maior experiência nesse momento de pandemia) A dispersão  do ar em procedimentos geradores de aerossol no RN de 3Kg, em relação a do adulto, é 23 vezes menor (ao redor de 2 cm!). Assim  a idéia de não querer usar a ventilação com ambú e máscara para evitar a produção de aerossol, não é uma idéia correta, pois, como vimos a dispersão é pequena em adulto e muito menor ainda em recém-nascidos (é importante evitar escape pela máscara! Com operador inexperiente, o escape pode ocorrer em até 40%). Devem ser usados os filtros hidrofóbicos bacterianos/virais na parte expiratória do sistema (não colocar entre o ambú e o paciente, pelo risco do aumento do espaço morte e aumento do CO2, principalmente em bebês <1000g). Em CPAP selo d´agua colocar o filtro antes do ar entrar na água para não espalhar no ar!Lembrar que esses bebês não nascem com coronavirus. A transmissão vertical  é muito rara. Quanto à aspiração, revisão sistemática mostrou que a aspiração de secreção não se associou ao aumento do risco de transmissão.  Existe alguma evidência que se for entubar por estar próximo ao doente, fazer a aspiração de forma contínua. Sempre aspirar o tubo em um sistema fechado.Não há nenhuma evidência que haja novos modos de ventilação para os pacientes positivos ou suspeitos que possa diminuir a produção de aerossóis e melhorar o prognóstico do paciente. É bom você lembrar que o bebê é seu amigo, você é o maior inimigo dele

 

Uso de filtros Bacterianos/Virais nos equipamentos para suporte respiratório no Período Neonatal – Orientações Práticas

Uso de filtros Bacterianos/Virais nos equipamentos para suporte respiratório no Período Neonatal – Orientações Práticas

Departamento Científico de Neonatologia

Presidente: Maria Albertina Santiago Rego
Secretária: Lilian Santos Rodrigues Sadeck

Conselho Científico: Alexandre Lopes Miralha, Danielle Cintra Bezerra Brandão,
Laura de Fátima Afonso Dias, Leila Denise Cesário Pereira,
Lícia Maria Oliveira Moreira, Marynea Silva do Vale,
Salma Saraty Malveira, Silvana Salgado Nader

Autores: Milton Harumi Miyoshi, Ruth Guinsburg,
Maria Fernanda Branco de Almeida

 

UTI Pediátrica:Efeito do suporte pressórico versus respiração não assistida através de um colar de traqueostomia na duração do desmame em pacientes que necessitam de ventilação mecânica prolongada: um estudo randomizado

UTI Pediátrica:Efeito do suporte pressórico versus respiração não assistida através de um colar de traqueostomia na duração do desmame em pacientes que necessitam de ventilação mecânica prolongada: um estudo randomizado

Effect of pressure support vs unassisted breathing through a tracheostomy collar on weaning duration in patients requiring prolonged mechanical ventilation: a randomized trial.Jubran A, Grant BJ, Duffner LA, Collins EG, Lanuza DM, Hoffman LA, Tobin MJ.JAMA. 2013 Feb 20;309(7):671-7. doi: 10.1001/jama.2013.159. PMID: 23340588 Free PMC article. Clinical Trial.

Apresentação: Leomara Amorim do Rosário. PRM Medicina Intensiva Pediátrica HMIB. Coordenação: Alexandre Serafim

  • Em conclusão, o tempo de desmame da ventilação prolongada em pacientes transferidos para hospitais de cuidados agudos a longo prazo
    foi influenciada pelo método de desmame utilizado: o uso do colar de traqueostomia resultou em desmame mais precoce do que o suporte pressórico
COVID-19 neonatal: poucas evidências e necessidade de mais informacões (Neonatal COVID-19: little evidence and the need for more information)

COVID-19 neonatal: poucas evidências e necessidade de mais informacões (Neonatal COVID-19: little evidence and the need for more information)

Renato Soibelmann Procianoy, Rita C. Silveira, Paolo Manzoni, Guilherme Sant’Anna. Neonatal COVID‐19: little evidence and the need for more information Jornal de Pediatria (Versão em Português), Volume 96, Issue 3, May–June 2020, Pages 269-272. Download PDF. Artigo Integral!

 

Com base nos relatos disponíveis (até o momento da redacão deste editorial) e nos dados científicos relatados pela China, Itália e pelos Estados Unidos, recém-nascidos parecem ser significativamente menos afetados pela COVID-19 do que os adultos. No entanto, a falta de evidências de alta qualidade para essa situacão e o ritmo constante de informacões novas e conflitantes têm sido um desafio geral para todas as especialidades médicas, inclusive a terapia intensiva neonatal. Em realidade, o conhecimento atual sobre infeccão por coronavírus 2 (SARS-CoV-2) na síndrome respiratória aguda grave neonatal é limitado. Portanto, várias perguntas permanecem sem resposta e, ao mesmo tempo, a comunidade neonatal precisa agir. Não é de surpreender que isso tenha causado um estresse significativo entre os prestadores de cuidados de saúde neonatal. Em todo o mundo, vários grupos importantes têm trabalhado diligentemente no desenvolvimento de protocolos e diretrizes para a COVID-19 neonatal.No Brasil, um número significativo de documentos sobre esse assunto foi produzido rapidamente por entidades nacionais como a Sociedade Brasileira de Pediatria, o Ministério da Saúde e o Programa de Reanimacão Neonatal. Sem dúvida, essas são etapas críticas e fundamentais na luta contra a COVID-19, mas, dada a constante atualizacão e algumas informacões conflitantes, os profissionais de saúde enfrentam dificuldades para determinar as melhores diretrizes locais. Para tornar as coisas ainda mais desafiadoras, notícias diárias (e muitas vezes não científicas) são divulgadas pela imprensa.

 

Recomendações sobre os cuidados respiratórios do recém-nascido com COVID-19 SUSPEITA ou CONFIRMADA

Recomendações sobre os cuidados respiratórios do recém-nascido com COVID-19 SUSPEITA ou CONFIRMADA

Departamento Científico de Neonatologia

Presidente:Maria Albertina Santiago Rego

Secretária:Lilian dos Santos Sadeck
Conselho Científico: Alexandre Lopes Miralha, Danielle Cintra Bezerra Bradão,
Laura de Fátima Afonso Dias, Leila Cesário Pereira, Lícia Maria Oliveira Moreira, Marynea Silva do Vale, Salma Saraty Malveira, Silvana Salgado Nader,Milton Myioshi, Maria Fernanda Branco de Almeida, Ruth Guinsburg

 

COVID-19 NA UTI NEONATAL: MITOS E VERDADES NA NEONATOLOGIA

COVID-19 NA UTI NEONATAL: MITOS E VERDADES NA NEONATOLOGIA

Live com Guilherme Sant`Anna (Canadá). Organização: Marilene K. Martins (SP)

Reprodução autorizada realizada por Paulo R. Margotto

Hoje estamos vivenciando um momento único. Lembro que temos sempre coisas boas, no meio de coisas ruins. Procurem coisas boas para aprender tirar lições nesses momentos difíceis. Todos nós estamos passando por um momento difícil. A humanidade está passando por um momento difícil, particularmente o Brasil, devido às condições econômicas, sociais e políticas. O país nesse momento deveria estar unido e não dividido. Em minha opinião o Brasil está atravessando um momento mais difícil. Você pode dizer que os EUA tem mais casos e óbitos do que o Brasil, mas nas condições do Brasil e  na minha opinião, a tendência é que as coisas no Brasil vão piorar nos meses de maio, junho e julho por causas das  condições culturais, econômicas e políticas. Mesmo assim, é possível tirar coisas boas e aprender a ver que é possível realizar um Encontro como esse. Uma lição que tento passar inclusive para os meus colegas daqui do Canadá: o médico, enfermeira, fisioterapeuta precisam Estudar. Estamos em frente a uma doença que não conhecemos e se não estudarmos, vamos continuar no escuro. Devemos entender porque as normas são definidas.

Atrofia diafragmática nos pacientes pediátricos em ventilação mecânica (e em recém-nascidos?)

Atrofia diafragmática nos pacientes pediátricos em ventilação mecânica (e em recém-nascidos?)

Paulo R. Margotto.

A Monografia da Dra. Thaynara Leonel Bueno da UTI Pediátrica do HMIB /SES/DF demonstrou que a avaliação  ultrassonográfica do diafragma nos pacientes pediátricos  fornece medidas não invasivas da espessura diafragmática e seu grau de atrofia. Os dados mostram atrofia já nas primeiras 48horas de VM, em uma taxa semelhante aos trabalhos em adultos. Além disso, encontramos associação entre o uso de bloqueadores neuromusculares (BNM) e atrofia, e maior tendência ao afinamento diafragmático na população em uso de corticoide.

E NOS RECÉM-NASCIDOS?

Fomos buscar essa informação na Neonatologia e encontramos um estudo de 1988 mostrando que o suporte ventilatório prolongado está associado com uma diminuição seletiva da massa muscular diafragmática, podendo reduzir a capacidade dos bebês de sustentar o trabalho respiratório e complica o processo de desmame do suporte ventilatório. Estudo experimental (cordeiros recém-nascidos) realizado na McGill University Health Centre and Research Institut, Canadá, 2019 mostrou que a VM controlada em cordeiros recém-nascidos rapidamente levou à disfunção diafragmática, independentemente da lesão pulmonar induzida pela deficiência de surfactante. Essa disfunção pode constituir uma causa de falha de extubação. Portanto, uma lacuna aberta para pesquisa nessa área.

Barreira durante a Intubação Endotraqueal

Barreira durante a Intubação Endotraqueal

N Engl J Med. 2020 Apr 3. doi: 10.1056/NEJMc2007589. [Epub ahead of print] Barrier Enclosure during Endotracheal Intubation. Canelli R1Connor CWGonzalez MNozari AOrtega R.PMID:32243118.DOI:10.1056/NEJMc2007589. Artigo Livre!

Realizado por Paulo R. Margotto

Clínicos com acesso inadequado ao equipamento de proteção individual (EPI) padrão foram compelidos a improvisar os compartimentos de barreira protetora para uso durante a intubação endotraqueal. Os autores descrevem  uma dessas barreiras que é facilmente fabricada e pode ajudar a proteger os médicos durante este procedimento. A barreira estudada era uma “caixa de aerossol” 1, que consiste em um cubo de plástico transparente projetado para cobrir a cabeça de um paciente e que incorpora duas portas circulares através das quais as mãos do clínico são passadas para realizar a procedimento das vias aéreas.

Perfil dos pacientes internados na UTI neonatal de Referência do Distrito Federal com patologias cirúrgicas do tórax

Perfil dos pacientes internados na UTI neonatal de Referência do Distrito Federal com patologias cirúrgicas do tórax

Daniela Megumi Ramaçho Yoshimoto. Orientadora: Evely Mirela Santos França. Revisão: Paulo R. Margotto

Hospital Materno Infantil de Brasília

RESUMO

Objetivos: Analisar o perfil dos pacientes com doenças cirúrgicas do tórax assistidos no serviço de Terapia Intensiva Neonatal do HMIB.

Métodos: Estudo descritivo transversal realizado por meio da análise retrospectiva de dados de prontuário eletrônico dos casos de pacientes com diagnóstico de patologias cirúrgicas do tórax: malformação adenomatosa cística (MAC), hérnia diafragmática congênita (HDC) e atresia de esôfago (AE), com ou sem fístula assistidos na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal entre Janeiro de 2017 a Janeiro 2018.

Resultados: O trabalho identificou 30 pacientes com as malformações buscadas pelo estudo, sendo 14 atresias de esôfago (46,67%), 13 hérnias diafragmáticas congênitas (43,33%) e 3 malformações adenomatosas císticas (10%). Numa análise geral, a prevalência de gênero foi do sexo masculino, do peso foi adequado para idade gestacional; da idade gestacional foi a termo; da via de parto foi cirúrgica; da necessidade de reanimação neonatal e o desfecho final foi predominantemente o óbito. As variáveis que apresentaram significância estatística foram entre reanimação e óbito, onde os pacientes que foram reanimados tinham 3,5 mais chances de vir a óbito do que aqueles que não necessitaram de reanimação. Diferente das demais variáveis que foram analisadas:  peso e desfecho final; dias de internação e tipo de malformação; desfecho final e tipo de malformação, que não apresentavam correlação significativa, diferente do encontrado na literatura.

Conclusões: A mortalidade é elevada nos recém-nascidos com hérnia diafragmática congênita (76,9%), porém as taxa de sobrevida nos pacientes com atresia de esôfago (57,1%) e malformação adenomatosa cística (100%) são satisfatórias, compatíveis com dados da literatura atual. O fator estatisticamente significativo para o aumento da taxa de mortalidade nos RNs analisados na amostra foi a necessidade de reanimação neonatal ao nascimento, diferentemente de outros fatores como peso ao nascer, APGAR no 1º minuto menor que 7 e o tipo de malformação.