Categoria: Farmacologia Neonatal

ÁUDIO POR IA: DOR NEONATAL-2026

ÁUDIO POR IA: DOR NEONATAL-2026

Apresentação: Ludmylla de Oliveira Beleza , Marta David Rocha de Moura e Paulo R. Margotto, ocorrida na Reunião da Unidade de Neonatologia do HMIB (29/6/2026).

Esta palestra aborda a evolução do entendimento sobre a dor neonatal, destacando que, ao contrário do que se acreditava antigamente, os recém-nascidos, especialmente os prematuros, possuem uma sensibilidade à dor superior à dos adultos. A ciência comprovou que o sistema sensorial para a dor se desenvolve precocemente. Receptores sensoriais surgem por volta da 7ª semana de gestação, e por volta da 20ª semana, todos os neurônios sensitivos já estão presentes na pele e mucosas. O bebê prematuro sente mais dor e tem uma sensibilidade maior que o bebê a termo ou o adulto. Isso ocorre porque suas vias inibitórias descendentes (que ajudam a modular e diminuir a dor) são menos desenvolvidas. Um estímulo doloroso que dura 10 minutos em um adulto pode ser sentido por até 90 minutos por um bebê a termo. A dor não é apenas uma sensação, mas uma interação complexa que afeta os sistemas imune, nervoso e endócrino.Ocorrem alterações na frequência cardíaca, saturação de oxigênio, pressão arterial e picos hormonais (aumento de cortisol e glucagon).A exposição repetida à dor sem tratamento pode causar apoptose neuronal (morte de células cerebrais), afinamento do córtex e redução do volume de estruturas como o hipocampo e o cerebelo.Pode gerar alodinia (quando um estímulo que não deveria causar dor, como a troca de fralda, provoca uma reação desesperada) e dificuldades futuras de atenção e sociabilidade. A palestra enfatiza que a avaliação da dor deve ser parte dos sinais vitais, utilizando escalas validadas para reduzir a subjetividade. O uso de Inteligência Artificial, decodificação do choro e monitoramento da condutância da pele são ferramentas emergentes para tornar a avaliação em tempo real e mais objetiva.

Dexmedetomedina na hipotermia terapêutica (ensaio DICE- Dexmedetomidine Use in Infants undergoing Cooling due to Neonatal Encephalopathy):16 de junho de 2026

Dexmedetomedina na hipotermia terapêutica (ensaio DICE- Dexmedetomidine Use in Infants undergoing Cooling due to Neonatal Encephalopathy):16 de junho de 2026

Dexmedetomidine use in Infants undergoing Cooling due to neonatal Encephalopathy (DICE trial): safety and pharmacokinetics.Baserga MC, Bahr TM, Yang MJ, Rau C, DuPont TL, Ostrander B, Gerday EB, Yellepeddi V, Watt KM.Pediatr Res. 2026 Jun 16. doi: 10.1038/s41390-026-05184-0. Online ahead of print.PMID: 42304121

Realizado por Paulo R. Margotto.

 

Lactentes com encefalopatia neonatal (EN) moderada a grave em hipotermia terapêutica (HT) frequentemente necessitam de sedação e analgesia. A morfina é o padrão atual, mas traz riscos (depressão respiratória, efeitos adversos no neurodesenvolvimento e dismotilidade intestinal). A dexmedetomidina surge como alternativa promissora por oferecer sedação, analgesia e prevenção de tremores sem deprimir a ventilação. Trata-se de um  estudo randomizado, multicêntrico, aberto; dexmedetomidina (ataque 1 µg/kg + infusão 0,1–0,5 µg/kg/h) vs morfina. Sem diferença  significativa em eventos adversos graves, bradicardia, hipotensão, convulsões ou outros desfechos cardiovasculares/renais/hepáticos comparado à morfina, desfechos semelhantes (suporte respiratório, tempo de internação, tremores), tendência a maior tempo para alimentação oral completa no grupo dexmedetomidina (11 vs 7 dias – margem de significância), tendência a maior tempo para alimentação oral completa no grupo dexmedetomidina (11 vs 7 dias – margem de significância).Portanto, o estudo conclui que a  Dexmedetomidina é segura na dose estudada, com perfil hemodinâmico comparável à morfina e menor risco de depressão respiratória. Estudos de fase III são necessários para avaliar neuroproteção e eficácia a longo prazo.

Dexmedetomidina versus opioides para sedação durante hipotermia terapêutica na encefalopatia hipóxico-isquêmica neonatal: eficácia, segurança e relação dose-resposta

Dexmedetomidina versus opioides para sedação durante hipotermia terapêutica na encefalopatia hipóxico-isquêmica neonatal: eficácia, segurança e relação dose-resposta

Dexmedetomidine versus opioids for sedation during therapeutic hypothermia in neonatal HIE: efficacy, safety, and dose-response relationship. Chamzas A, Aycan F, Gopalakrishnan M, El Metwally D.Pediatr Res. 2026 Feb 26. doi: 10.1038/s41390-026-04814-x. Online ahead of print.PMID: 41748747.

Realizado por Paulo R. Margotto.

Trata-se de um estudo de coorte retrospectivo de Centro único (163 neonatos com EHI submetidos à HT 72h). Comparou sedação baseada em dexmedetomidina (primeira linha, iniciada em 0,3 µg/kg/h, máx. 1 µg/kg/h) versus sedação apenas com opioides (fentanil/morfina).Houve redução de 50% na dose cumulativa de opioides (46 vs 95 µg/kg equivalentes de fentanil, p<0,001), menor número de doses de resgate (3,3 vs 5,0; p=0,069) e sedação adequada mantida (escores NPASS semelhantes), alimentação enteral plena mais precoce (mediana 6 vs 7 dias, p<0,001), menor  tempo de internação (9 vs 12 dias) e menor necessidade de ventilação mecânica (24% vs 42),  Bradicardia em 41%  dos casos com dexmedetomidina, similar ao grupo opioide em frequência, mas mais persistente) e em 30% foo descontinuada. Hemodinâmica geral comparável (uso de vasopressores idêntico). Faixa eficaz de dose: 0,25–0,5 µg/kg/h (maior risco de bradicardia com doses mais altas e em neonatos de menor peso ao nascer. Portanto, a dexmedetomidina como sedativo de primeira linha durante HT na EHI é eficaz, reduz significativamente a exposição a opioides e associa-se a melhores desfechos de alimentação e respiratórios, com perfil de segurança aceitável.

Doses Mínimas, Grande Impacto: Otimizando o Desmame da Sedação para Reduzir o Uso de Opioides em ema UTI Neonatal De Nível IV

Doses Mínimas, Grande Impacto: Otimizando o Desmame da Sedação para Reduzir o Uso de Opioides em ema UTI Neonatal De Nível IV

Tiny doses, big impactOptimizing sedation weaning to reduce opioid use in a Level IV NICU.Glenn T, Carroll J, Kimball A, Speziale M, Romanowski G, Chamankhah N, Helgeson H, Sim E, Kimmel J, Kang J, Wong A, Grimm P, Van Gorder M, Heath D, Moyer L.J Perinatol. 2026 Apr 29. doi: 10.1038/s41372-026-02630-z. Online ahead of print.PMID: 42056241. Estado Unidos.

Realizado por Paulo R. Margotto.

Um Protocolo padronizado, multidisciplinar e estruturado de desmame da sedação reduz de forma significativa a exposição a opioides e dexmedetomidina, diminui o tempo de internação e melhora os resultados clínicos em neonatos criticamente enfermos, sem comprometer a segurança :exposição a opioides: diminuiu de 26 para 17 dias (redução de 35% ,  meta de 20% superada);  tempo de internação: diminuiu de 70 para 50 dias; exposição à dexmedetomidina  diminuiu  de 18 para 12 dias, além da melhora na adesão aos planos individualizados, alta satisfação da equipe, redução da síndrome de abstinência iatrogênica, maior segurança e qualidade do cuidado e cultura de desmame mais proativa na Unidade. “Doses mínimas, grande impacto” — a padronização é uma ferramenta poderosa para proteger o neurodesenvolvimento dos recém-nascidos.

PROTOCOLO DE RETIRADA DE PSICOATIVOS: Prevenção da abstinência iatrogênica

PROTOCOLO DE RETIRADA DE PSICOATIVOS: Prevenção da abstinência iatrogênica

Priscila Guimarães, Marta David Rocha de Moura, Josileide de Castro e Paulo R. Margotto.

 

A síndrome de abstinência neonatal (SAN) refere-se ao conjunto de manifestações clínicas decorrentes da exposição fetal intrauterina a opioides ou outras substâncias psicoativas. Em contraste, a síndrome de abstinência neonatal iatrogênica (Iatrogenic Withdrawal Syndrome) ou também chamada síndrome de retirada, ocorre em recém-nascidos e crianças após uso prolongado de opioides e/ou sedativos administrados durante a internação em unidades de terapia intensiva. Esta última representa uma complicação frequente em Unidades de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN), com incidência variável conforme a população estudada e o protocolo de analgosedação utilizado. A ocorrência de abstinência iatrogênica na retirada dos opioides na pediatria varia de 0 a 100%, com literatura mais recente citando 45 a 86% na UTI pediátrica .

O objetivo desta abordagem é a padronização do desmame do opioide (fentanil) e benzodiazepínico (midazolam) e dexmetedotmedine na prevenção mais segura dos sintomas de abstinência iatrogênica, garantindo estabilidade hemodinâmica e minimizando a exposição desnecessária a medicamentos sedativos.

Tendências No Uso de Gabapentina em uma Unidade de Terapia Intensiva Neonatal de um único Centro de 2016 A 2024

Tendências No Uso de Gabapentina em uma Unidade de Terapia Intensiva Neonatal de um único Centro de 2016 A 2024

Trends in gabapentin use in a singlecenter neonatal intensive care unit from 2016-2024. Roberts AG, Foote H, Schneider S, Katakam L, Greenberg RG.J Perinatol. 2026 Apr 7. doi: 10.1038/s41372-026-02673-2. Online ahead of print.PMID: 41946932 No abstract available.

Realizado por Paulo R. Margotto

Estudo retrospectivo do Duke University Hospital analisou o uso de gabapentina em 7.915 neonatos internados na UTIN entre 2016 e 2024. Dos quais, 351 (4,4%) receberam o medicamento. Houve  umento significativo no uso: de 2,5% em 2016 para 6,4% em 2024 (aumento relativo de 156%, p < 0,001).  Uso muito maior em prematuros extremos (≤32 semanas) e em neonatos com longa internação (mediana de 125 dias vs. 9 dias). Forte associação com exposição a opioides (96%), benzodiazepínicos (84%), medicamentos para refluxo (70%) e comorbidades como enterocolite necrosante, convulsões, colocação de gastrostomia e síndrome de abstinência. Posologia (mediana): dose inicial 10 mg/kg/dia, dose final 15 mg/kg/dia e dose máxima 17 mg/kg/dia, administrada 1 a 4 vezes ao dia. A maioria dos lactentes recebeu gabapentina próximo à alta, sugerindo continuidade ambulatorial. Apesar do uso crescente, ainda faltam dados prospectivos de segurança, eficácia e posologia padronizada em neonatos. O estudo reforça a necessidade de pesquisas adicionais para definir melhores práticas.

Uso da Gabapentina no Tratamento de Resistência Alimentar, Dor e Irritabilidade em Lactentes e Crianças

Uso da Gabapentina no Tratamento de Resistência Alimentar, Dor e Irritabilidade em Lactentes e Crianças

Marta David Rocha de Moura.

 

A gabapentina (GB) tem se mostrado uma opção eficaz e relativamente segura para o tratamento de resistência alimentar, dor neuropática e irritabilidade crônica em lactentes e crianças, especialmente naqueles com deficiência neurológica grave (DNG). As Principais indicações e benefícios são: Resistência alimentar: Aumenta significativamente o volume de fórmula consumida e o número de sessões de amamentação eficaz (evidência de ensaio clínico randomizado). Dor e irritabilidade: Reduz escores de dor e agitação, inclusive em casos de hiperalgesia visceral e dor de origem desconhecida. Vantagem adicional: Permite reduzir ou desmamar sedativos e analgésicos mais potentes (opioides e benzodiazepínicos).Mecanismo de ação: Liga-se à subunidade α2-δ dos canais de cálcio, inibindo a liberação de neurotransmissores excitatórios, com bom efeito na dor crônica e nociplástica. Dosagem recomendada (início lento – “start low, go slow”): Início: 5 mg/kg/dose à noite. Titulação gradual até 15 mg/kg/dia (dividido em 3 doses). Dose máxima: 30–60 mg/kg/dia, dependendo do peso. Desmame lento para evitar abstinência. Segurança: Geralmente bem tolerada. Efeitos adversos são leves e infrequentes (sonolência, nystagmus, bradicardia leve). Ajustar dose em insuficiência renal. Monitorar quando associada a opioides. Limitações da evidência:A maioria dos dados é de estudos retrospectivos, observacionais e relatos de casos. Faltam ensaios clínicos randomizados prospectivos, especialmente em neonatos. O uso é majoritariamente off-label. Em conclusão, a gabapentina é uma ferramenta valiosa para melhorar a alimentação, reduzir dor/irritabilidade e otimizar o manejo farmacológico em lactentes com dificuldade neurológica complexa, mas protocolos padronizados e mais estudos de alta qualidade são necessários.

Uso da Gabapentina na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal e Além: Relato de Centro Único de 104 casos

Uso da Gabapentina na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal e Além: Relato de Centro Único de 104 casos

Gabapentin use in the neonatal intensive care unit and beyond: Single center report of 104 cases. M. Elliotta,*, K. Fairchilda, J. Burnseda, S. Zanellia, K. Heinanb, H.P. Goodkinb, K. Frazierc e L. Letzkusc L.J Neonatal Perinatal Med. 2023;16(4):717-723. doi: 10.3233/NPM-230015.PMID: 38143379 .

Realizado por Paulo R. Margotto.

Este estudo retrospectivo descreve a experiência de um único centro (Universidade da Virgínia, EUA) com o uso de gabapentina em 104 lactentes internados na UTIN entre 2015 e 2021. A maioria dos pacientes era prematura (idade gestacional mediana de 29,5 semanas) e apresentava múltiplas comorbidades, especialmente displasia broncopulmonar (63%) e alterações neurológicas (55%). A principal indicação para o uso de gabapentina foi irritabilidade grave/refratária (86% dos casos). A medicação foi iniciada em média com 41 semanas de idade pós-menstrual, com dose inicial habitual de 5 mg/kg/dia, titulada até uma dose máxima mediana de 25 mg/kg/dia (máximo 35 mg/kg/dia). A gabapentina foi geralmente bem tolerada, com poucos efeitos colaterais (sedação excessiva em 8% e nistagmo em 2 casos), que melhoraram com redução da dose. Dos 90 lactentes que receberam alta da UTIN, 84% saíram de hospital ainda em uso de gabapentina (dose mediana 20 mg/kg/dia). A maioria necessitava de equipamentos domiciliares (sonda de alimentação e/ou suporte respiratório). No acompanhamento ambulatorial, observou-se alto índice de atrasos do desenvolvimento: 93% apresentavam atraso em pelo menos um domínio na primeira consulta e 66% tinham diagnóstico de atraso global do desenvolvimento aos 2 anos de idade corrigida. O desmame da gabapentina foi iniciado, em média, por volta dos 6 meses de idade corrigida, sem efeitos adversos relatados.Portanto,  a gabapentina tem sido utilizada com frequência crescente na UTIN, principalmente para irritabilidade refratária em lactentes clinicamente complexos. Ela parece ser bem tolerada e frequentemente mantida após a alta, mas os pacientes dessa população apresentam alto risco de atrasos neurodesenvolvimentais e necessitam de acompanhamento rigoroso.

Tratamento da Hipotensão da Prematuridade: Um Ensaio Randomizado

Tratamento da Hipotensão da Prematuridade: Um Ensaio Randomizado

Treatment of Hypotension of Prematurity: a randomised trial.Alderliesten T, Arasteh E, van Alphen A, Groenendaal F, Dudink J, Benders MJ, van Bel F, Lemmers P.Arch Dis Child Fetal Neonatal Ed. 2025 Dec 15;111(1):F60-F66. doi: 10.1136/archdischild-2024-328253.PMID: 40413017 Clinical Trial.Departamento de Neonatologia, University Medical Center Utrecht, Wilhelmina Children’s Hospital, Utrecht, Holanda. Correspondência para Dr. Thomas Alderliesten; t.alderliesten-2@umcutrecht.nl

Realizado por Paulo R. Margotto.

Objetivo: Comparar o tratamento padrão (TP) da hipotensão idiopática em prematuros <30 semanas (iniciar tratamento quando PAM < idade gestacional em semanas) versus abordagem de hipotensão permissiva (HP), que inicia tratamento apenas quando há sinais de baixa perfusão (rScO₂ ≤50%, oligúria, enchimento capilar >3s, lactato >6 mmol/L ou PAM 5 mmHg abaixo da IG). Trata-se de um ensaio randomizado (86 bebês incluídos – 57% do previsto). Avaliação neurodesenvolvimental aos 24 meses (Bayley III). Não houve diferença significativa no neurodesenvolvimento cognitivo ou motor aos 2 anos. Risco de morte e resultado adverso composto (morte ou Bayley <85) foram comparáveis entre os grupos. No grupo hipotensão permissiva (HP):Menor uso de inotrópicos (15% vs 42,5%), Menor duração do suporte inotrópico (17h vs 48h), Pressões arteriais médias semelhantes aos do grupo padrão. Os autores concluem que uma abordagem mais individualizada e permissiva (baseada em sinais de perfusão, e não apenas na PAM) é viável e segura nos primeiros 3 dias de vida em prematuros sem sepse. Reduz significativamente o uso de inotrópicos sem piorar mortalidade ou neurodesenvolvimento (embora o estudo tenha ficado subpotencializado). Mensagem prática: PAM baixa isolada não deve ser tratada automaticamente. Integrar parâmetros de perfusão (oxigenação cerebral por NIRS, lactato, diurese, enchimento capilar) permite tratar menos com inotrópicos sem aparente prejuízo.

Tratamento Farmacológico da Hipotensão em Recém-Nascidos Muito Prematuros: Revisão Sistemática e Metanálise de Ensaios Clínicos Randomizados Controlados

Tratamento Farmacológico da Hipotensão em Recém-Nascidos Muito Prematuros: Revisão Sistemática e Metanálise de Ensaios Clínicos Randomizados Controlados


Pharmacological Hypotensive Treatment in Very Preterm NewbornsSystematic Review and MetaAnalysis of Randomised Controlled Trials
Boscarino G, Conti MG, Esposito S, Terrin G.Acta Paediatr. 2026 Mar;115(3):536-553. doi: 10.1111/apa.70411. Epub 2025 Dec 6.PMID: 41353557 Review.Itália.                             Correspondência: Gianluca Terrin (gianluca.terrin@uniroma1.it). Apresentado por Laissa, (R3 de Neonatologia do Hospital Santa Lúcia Sul), sob Coordenação de Paulo R. Margotto

Revisão sistemática + metanálise de 12 ECRs (n=539) sobre tratamento farmacológico da hipotensão em recém-nascidos muito prematuros (≤30 semanas ou MBPN). A Dopamina e hidrocortisona aumentaram a chance de resolução da hipotensão vs. placebo (OR 4,53 e 9,31, respectivamente), mas evidência é limitada e heterogênea.Nenhuma intervenção reduziu mortalidade nem melhorou desfechos neurológicos de longo prazo.Riscos aumentados:Dopamina → maior risco de hemorragia intraventricular / leucomalácia periventricular (OR 3,47) e Hidrocortisona e epinefrina → maior risco de hiperglicemia.Não houve diferenças significativas em enterocolite necrosante, displasia broncopulmonar, retinopatia, mortalidade ou desfecho neurológico tardio entre os fármacos comparados (dopamina vs. dobutamina, epinefrina, vasopressina, etc.).Portanto: Dopamina e hidrocortisona podem elevar a pressão arterial em prematuros hipotensos, mas sem benefício em sobrevida ou neurodesenvolvimento, e com riscos importantes (HIV/LPV com dopamina; hiperglicemia com hidrocortisona/epinefrina). Evidência de baixa qualidade; faltam estudos robustos em subpopulações específicas.