Categoria: Farmacologia Neonatal

Sildenafil na encefalopatia hipóxico-isquêmica: da descoberta pré-clínica aos ensaios clínicos

Sildenafil na encefalopatia hipóxico-isquêmica: da descoberta pré-clínica aos ensaios clínicos

Pia Wintermark (Canadá). Live da Newborn Brain Society (30 de julho de 2026).

Realizado por Paulo R. Margotto.

Os documentos apresentam pesquisas lideradas pela Dra. Pia Wintermark (Canadá) sobre o uso do SILDENAFIL para tratar a encefalopatia hipóxico-isquêmica (EHI) em recém-nascidos. Diferente da hipotermia terapêutica tradicional, que foca na proteção imediata, essa abordagem busca a neurorestauração para reparar danos cerebrais já estabelecidos. A hipotermia terapêutica  falha em até 30% dos casos e não possui efeito neurorrestaurador, o que significa que ela não repara as lesões cerebrais que já estão consolidadas no tecido. O mecanismo de ação envolve a redução da neuroinflamação (fazendo com que astrócitos e microglias ativados retornem a um estado inativo), a atenuação da apoptose neuronal e o fomento à regeneração de oligodendrócitos e reparo da substância branca Estudos clínicos e pré-clínicos indicam que o medicamento é seguro, bem tolerado e capaz de melhorar a mielinização e a plasticidade sináptica. Análises quantitativas por ressonância magnética demonstraram que bebês tratados apresentaram menor perda de volume cerebral e recuperação superior em comparação aos grupos de controle. As fontes detalham o sucesso das fases iniciais do estudo SANE (Sildenafil Administration to treat Neonatal Encephalopath), reforçando o potencial dessa terapia como um tratamento adjuvante inovador na neonatologia. Um ensaio clínico de viabilidade multicêntrico está em andamento para avaliar o tratamento em uma coorte maior de 120 neonatos em múltiplos centros no Canadá e nos EUA.

Diuréticos para Prevenção da Displasia Broncopulmonar em Recém-Nascidos Pré-Termo: Uma Revisão Sistemática e Metanálise

Diuréticos para Prevenção da Displasia Broncopulmonar em Recém-Nascidos Pré-Termo: Uma Revisão Sistemática e Metanálise

Diuretics for Preventing Bronchopulmonary Dysplasia in Preterm Infants: A Systematic Review and Meta-Analysis. Kato S, Koizumi M, Nirei J, Honda K, Ishiguro A, Yamazaki M, Isayama T.Neonatology. 2026 Jul 9:1-20. doi: 10.1159/000553435. Online ahead of print.PMID: 42424248. Japão

Realizado por Paulo R. Margotto.

Esta coletânea estudos apresenta uma revisão sistemática e metanálise atualizada sobre o impacto dos diuréticos na prevenção e no manejo da displasia broncopulmonar (DBP) em bebês prematuros (40 estudos publicados até junho de 2025, dos quais 6 eram ensaios clínicos randomizados (ECRs) e 34 eram estudos não randomizados). Os textos destacam que, embora a furosemida seja amplamente prescrita em UTIs neonatais, não existem evidências robustas de que esses medicamentos melhorem o prognóstico de longo prazo ou reduzam a mortalidade. As pesquisas indicam que os benefícios observados são frequentemente transitórios e limitados a melhorias respiratórias agudas, enquanto o uso prolongado eleva riscos de ototoxicidade, nefrocalcinose e desequilíbrios eletrolíticos. Além disso, o fenômeno da tolerância diurética é discutido, revelando que a eficácia dessas drogas diminui rapidamente após doses sucessivas. A evidência científica atual não confirma que os diuréticos previnem a displasia broncopulmonar O conteúdo enfatiza a necessidade de ensaios clínicos randomizados mais rigorosos na era moderna da neonatologia para validar essas práticas. Por fim, os especialistas recomendam uma utilização cautelosa e criteriosa, priorizando o tratamento de edemas específicos em vez do uso rotineiro para prevenir a doença pulmonar crônica.

ÁUDIO POR IA: DOR NEONATAL-2026

ÁUDIO POR IA: DOR NEONATAL-2026

Apresentação: Ludmylla de Oliveira Beleza , Marta David Rocha de Moura e Paulo R. Margotto, ocorrida na Reunião da Unidade de Neonatologia do HMIB (29/6/2026).

Esta palestra aborda a evolução do entendimento sobre a dor neonatal, destacando que, ao contrário do que se acreditava antigamente, os recém-nascidos, especialmente os prematuros, possuem uma sensibilidade à dor superior à dos adultos. A ciência comprovou que o sistema sensorial para a dor se desenvolve precocemente. Receptores sensoriais surgem por volta da 7ª semana de gestação, e por volta da 20ª semana, todos os neurônios sensitivos já estão presentes na pele e mucosas. O bebê prematuro sente mais dor e tem uma sensibilidade maior que o bebê a termo ou o adulto. Isso ocorre porque suas vias inibitórias descendentes (que ajudam a modular e diminuir a dor) são menos desenvolvidas. Um estímulo doloroso que dura 10 minutos em um adulto pode ser sentido por até 90 minutos por um bebê a termo. A dor não é apenas uma sensação, mas uma interação complexa que afeta os sistemas imune, nervoso e endócrino.Ocorrem alterações na frequência cardíaca, saturação de oxigênio, pressão arterial e picos hormonais (aumento de cortisol e glucagon).A exposição repetida à dor sem tratamento pode causar apoptose neuronal (morte de células cerebrais), afinamento do córtex e redução do volume de estruturas como o hipocampo e o cerebelo.Pode gerar alodinia (quando um estímulo que não deveria causar dor, como a troca de fralda, provoca uma reação desesperada) e dificuldades futuras de atenção e sociabilidade. A palestra enfatiza que a avaliação da dor deve ser parte dos sinais vitais, utilizando escalas validadas para reduzir a subjetividade. O uso de Inteligência Artificial, decodificação do choro e monitoramento da condutância da pele são ferramentas emergentes para tornar a avaliação em tempo real e mais objetiva.

Dexmedetomedina na hipotermia terapêutica (ensaio DICE- Dexmedetomidine Use in Infants undergoing Cooling due to Neonatal Encephalopathy):16 de junho de 2026

Dexmedetomedina na hipotermia terapêutica (ensaio DICE- Dexmedetomidine Use in Infants undergoing Cooling due to Neonatal Encephalopathy):16 de junho de 2026

Dexmedetomidine use in Infants undergoing Cooling due to neonatal Encephalopathy (DICE trial): safety and pharmacokinetics.Baserga MC, Bahr TM, Yang MJ, Rau C, DuPont TL, Ostrander B, Gerday EB, Yellepeddi V, Watt KM.Pediatr Res. 2026 Jun 16. doi: 10.1038/s41390-026-05184-0. Online ahead of print.PMID: 42304121

Realizado por Paulo R. Margotto.

 

Lactentes com encefalopatia neonatal (EN) moderada a grave em hipotermia terapêutica (HT) frequentemente necessitam de sedação e analgesia. A morfina é o padrão atual, mas traz riscos (depressão respiratória, efeitos adversos no neurodesenvolvimento e dismotilidade intestinal). A dexmedetomidina surge como alternativa promissora por oferecer sedação, analgesia e prevenção de tremores sem deprimir a ventilação. Trata-se de um  estudo randomizado, multicêntrico, aberto; dexmedetomidina (ataque 1 µg/kg + infusão 0,1–0,5 µg/kg/h) vs morfina. Sem diferença  significativa em eventos adversos graves, bradicardia, hipotensão, convulsões ou outros desfechos cardiovasculares/renais/hepáticos comparado à morfina, desfechos semelhantes (suporte respiratório, tempo de internação, tremores), tendência a maior tempo para alimentação oral completa no grupo dexmedetomidina (11 vs 7 dias – margem de significância), tendência a maior tempo para alimentação oral completa no grupo dexmedetomidina (11 vs 7 dias – margem de significância).Portanto, o estudo conclui que a  Dexmedetomidina é segura na dose estudada, com perfil hemodinâmico comparável à morfina e menor risco de depressão respiratória. Estudos de fase III são necessários para avaliar neuroproteção e eficácia a longo prazo.

Dexmedetomidina versus opioides para sedação durante hipotermia terapêutica na encefalopatia hipóxico-isquêmica neonatal: eficácia, segurança e relação dose-resposta

Dexmedetomidina versus opioides para sedação durante hipotermia terapêutica na encefalopatia hipóxico-isquêmica neonatal: eficácia, segurança e relação dose-resposta

Dexmedetomidine versus opioids for sedation during therapeutic hypothermia in neonatal HIE: efficacy, safety, and dose-response relationship. Chamzas A, Aycan F, Gopalakrishnan M, El Metwally D.Pediatr Res. 2026 Feb 26. doi: 10.1038/s41390-026-04814-x. Online ahead of print.PMID: 41748747.

Realizado por Paulo R. Margotto.

Trata-se de um estudo de coorte retrospectivo de Centro único (163 neonatos com EHI submetidos à HT 72h). Comparou sedação baseada em dexmedetomidina (primeira linha, iniciada em 0,3 µg/kg/h, máx. 1 µg/kg/h) versus sedação apenas com opioides (fentanil/morfina).Houve redução de 50% na dose cumulativa de opioides (46 vs 95 µg/kg equivalentes de fentanil, p<0,001), menor número de doses de resgate (3,3 vs 5,0; p=0,069) e sedação adequada mantida (escores NPASS semelhantes), alimentação enteral plena mais precoce (mediana 6 vs 7 dias, p<0,001), menor  tempo de internação (9 vs 12 dias) e menor necessidade de ventilação mecânica (24% vs 42),  Bradicardia em 41%  dos casos com dexmedetomidina, similar ao grupo opioide em frequência, mas mais persistente) e em 30% foo descontinuada. Hemodinâmica geral comparável (uso de vasopressores idêntico). Faixa eficaz de dose: 0,25–0,5 µg/kg/h (maior risco de bradicardia com doses mais altas e em neonatos de menor peso ao nascer. Portanto, a dexmedetomidina como sedativo de primeira linha durante HT na EHI é eficaz, reduz significativamente a exposição a opioides e associa-se a melhores desfechos de alimentação e respiratórios, com perfil de segurança aceitável.

Doses Mínimas, Grande Impacto: Otimizando o Desmame da Sedação para Reduzir o Uso de Opioides em ema UTI Neonatal De Nível IV

Doses Mínimas, Grande Impacto: Otimizando o Desmame da Sedação para Reduzir o Uso de Opioides em ema UTI Neonatal De Nível IV

Tiny doses, big impactOptimizing sedation weaning to reduce opioid use in a Level IV NICU.Glenn T, Carroll J, Kimball A, Speziale M, Romanowski G, Chamankhah N, Helgeson H, Sim E, Kimmel J, Kang J, Wong A, Grimm P, Van Gorder M, Heath D, Moyer L.J Perinatol. 2026 Apr 29. doi: 10.1038/s41372-026-02630-z. Online ahead of print.PMID: 42056241. Estado Unidos.

Realizado por Paulo R. Margotto.

Um Protocolo padronizado, multidisciplinar e estruturado de desmame da sedação reduz de forma significativa a exposição a opioides e dexmedetomidina, diminui o tempo de internação e melhora os resultados clínicos em neonatos criticamente enfermos, sem comprometer a segurança :exposição a opioides: diminuiu de 26 para 17 dias (redução de 35% ,  meta de 20% superada);  tempo de internação: diminuiu de 70 para 50 dias; exposição à dexmedetomidina  diminuiu  de 18 para 12 dias, além da melhora na adesão aos planos individualizados, alta satisfação da equipe, redução da síndrome de abstinência iatrogênica, maior segurança e qualidade do cuidado e cultura de desmame mais proativa na Unidade. “Doses mínimas, grande impacto” — a padronização é uma ferramenta poderosa para proteger o neurodesenvolvimento dos recém-nascidos.

PROTOCOLO DE RETIRADA DE PSICOATIVOS: Prevenção da abstinência iatrogênica

PROTOCOLO DE RETIRADA DE PSICOATIVOS: Prevenção da abstinência iatrogênica

Priscila Guimarães, Marta David Rocha de Moura, Josileide de Castro e Paulo R. Margotto.

 

A síndrome de abstinência neonatal (SAN) refere-se ao conjunto de manifestações clínicas decorrentes da exposição fetal intrauterina a opioides ou outras substâncias psicoativas. Em contraste, a síndrome de abstinência neonatal iatrogênica (Iatrogenic Withdrawal Syndrome) ou também chamada síndrome de retirada, ocorre em recém-nascidos e crianças após uso prolongado de opioides e/ou sedativos administrados durante a internação em unidades de terapia intensiva. Esta última representa uma complicação frequente em Unidades de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN), com incidência variável conforme a população estudada e o protocolo de analgosedação utilizado. A ocorrência de abstinência iatrogênica na retirada dos opioides na pediatria varia de 0 a 100%, com literatura mais recente citando 45 a 86% na UTI pediátrica .

O objetivo desta abordagem é a padronização do desmame do opioide (fentanil) e benzodiazepínico (midazolam) e dexmetedotmedine na prevenção mais segura dos sintomas de abstinência iatrogênica, garantindo estabilidade hemodinâmica e minimizando a exposição desnecessária a medicamentos sedativos.

Tendências No Uso de Gabapentina em uma Unidade de Terapia Intensiva Neonatal de um único Centro de 2016 A 2024

Tendências No Uso de Gabapentina em uma Unidade de Terapia Intensiva Neonatal de um único Centro de 2016 A 2024

Trends in gabapentin use in a singlecenter neonatal intensive care unit from 2016-2024. Roberts AG, Foote H, Schneider S, Katakam L, Greenberg RG.J Perinatol. 2026 Apr 7. doi: 10.1038/s41372-026-02673-2. Online ahead of print.PMID: 41946932 No abstract available.

Realizado por Paulo R. Margotto

Estudo retrospectivo do Duke University Hospital analisou o uso de gabapentina em 7.915 neonatos internados na UTIN entre 2016 e 2024. Dos quais, 351 (4,4%) receberam o medicamento. Houve  umento significativo no uso: de 2,5% em 2016 para 6,4% em 2024 (aumento relativo de 156%, p < 0,001).  Uso muito maior em prematuros extremos (≤32 semanas) e em neonatos com longa internação (mediana de 125 dias vs. 9 dias). Forte associação com exposição a opioides (96%), benzodiazepínicos (84%), medicamentos para refluxo (70%) e comorbidades como enterocolite necrosante, convulsões, colocação de gastrostomia e síndrome de abstinência. Posologia (mediana): dose inicial 10 mg/kg/dia, dose final 15 mg/kg/dia e dose máxima 17 mg/kg/dia, administrada 1 a 4 vezes ao dia. A maioria dos lactentes recebeu gabapentina próximo à alta, sugerindo continuidade ambulatorial. Apesar do uso crescente, ainda faltam dados prospectivos de segurança, eficácia e posologia padronizada em neonatos. O estudo reforça a necessidade de pesquisas adicionais para definir melhores práticas.

Uso da Gabapentina no Tratamento de Resistência Alimentar, Dor e Irritabilidade em Lactentes e Crianças

Uso da Gabapentina no Tratamento de Resistência Alimentar, Dor e Irritabilidade em Lactentes e Crianças

Marta David Rocha de Moura.

 

A gabapentina (GB) tem se mostrado uma opção eficaz e relativamente segura para o tratamento de resistência alimentar, dor neuropática e irritabilidade crônica em lactentes e crianças, especialmente naqueles com deficiência neurológica grave (DNG). As Principais indicações e benefícios são: Resistência alimentar: Aumenta significativamente o volume de fórmula consumida e o número de sessões de amamentação eficaz (evidência de ensaio clínico randomizado). Dor e irritabilidade: Reduz escores de dor e agitação, inclusive em casos de hiperalgesia visceral e dor de origem desconhecida. Vantagem adicional: Permite reduzir ou desmamar sedativos e analgésicos mais potentes (opioides e benzodiazepínicos).Mecanismo de ação: Liga-se à subunidade α2-δ dos canais de cálcio, inibindo a liberação de neurotransmissores excitatórios, com bom efeito na dor crônica e nociplástica. Dosagem recomendada (início lento – “start low, go slow”): Início: 5 mg/kg/dose à noite. Titulação gradual até 15 mg/kg/dia (dividido em 3 doses). Dose máxima: 30–60 mg/kg/dia, dependendo do peso. Desmame lento para evitar abstinência. Segurança: Geralmente bem tolerada. Efeitos adversos são leves e infrequentes (sonolência, nystagmus, bradicardia leve). Ajustar dose em insuficiência renal. Monitorar quando associada a opioides. Limitações da evidência:A maioria dos dados é de estudos retrospectivos, observacionais e relatos de casos. Faltam ensaios clínicos randomizados prospectivos, especialmente em neonatos. O uso é majoritariamente off-label. Em conclusão, a gabapentina é uma ferramenta valiosa para melhorar a alimentação, reduzir dor/irritabilidade e otimizar o manejo farmacológico em lactentes com dificuldade neurológica complexa, mas protocolos padronizados e mais estudos de alta qualidade são necessários.

Uso da Gabapentina na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal e Além: Relato de Centro Único de 104 casos

Uso da Gabapentina na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal e Além: Relato de Centro Único de 104 casos

Gabapentin use in the neonatal intensive care unit and beyond: Single center report of 104 cases. M. Elliotta,*, K. Fairchilda, J. Burnseda, S. Zanellia, K. Heinanb, H.P. Goodkinb, K. Frazierc e L. Letzkusc L.J Neonatal Perinatal Med. 2023;16(4):717-723. doi: 10.3233/NPM-230015.PMID: 38143379 .

Realizado por Paulo R. Margotto.

Este estudo retrospectivo descreve a experiência de um único centro (Universidade da Virgínia, EUA) com o uso de gabapentina em 104 lactentes internados na UTIN entre 2015 e 2021. A maioria dos pacientes era prematura (idade gestacional mediana de 29,5 semanas) e apresentava múltiplas comorbidades, especialmente displasia broncopulmonar (63%) e alterações neurológicas (55%). A principal indicação para o uso de gabapentina foi irritabilidade grave/refratária (86% dos casos). A medicação foi iniciada em média com 41 semanas de idade pós-menstrual, com dose inicial habitual de 5 mg/kg/dia, titulada até uma dose máxima mediana de 25 mg/kg/dia (máximo 35 mg/kg/dia). A gabapentina foi geralmente bem tolerada, com poucos efeitos colaterais (sedação excessiva em 8% e nistagmo em 2 casos), que melhoraram com redução da dose. Dos 90 lactentes que receberam alta da UTIN, 84% saíram de hospital ainda em uso de gabapentina (dose mediana 20 mg/kg/dia). A maioria necessitava de equipamentos domiciliares (sonda de alimentação e/ou suporte respiratório). No acompanhamento ambulatorial, observou-se alto índice de atrasos do desenvolvimento: 93% apresentavam atraso em pelo menos um domínio na primeira consulta e 66% tinham diagnóstico de atraso global do desenvolvimento aos 2 anos de idade corrigida. O desmame da gabapentina foi iniciado, em média, por volta dos 6 meses de idade corrigida, sem efeitos adversos relatados.Portanto,  a gabapentina tem sido utilizada com frequência crescente na UTIN, principalmente para irritabilidade refratária em lactentes clinicamente complexos. Ela parece ser bem tolerada e frequentemente mantida após a alta, mas os pacientes dessa população apresentam alto risco de atrasos neurodesenvolvimentais e necessitam de acompanhamento rigoroso.