Categoria: Obstetrícia e Perinatologia

Exposição Antenatal a Opioides — Descoberta de um Espectro Amplo de Desenvolvimento Cerebral Prejudicado em Recém-Nascidos Afetados.

Exposição Antenatal a Opioides — Descoberta de um Espectro Amplo de Desenvolvimento Cerebral Prejudicado em Recém-Nascidos Afetados.

Joseph J. Volpe (EUA)

Realizado por Paulo R. Margotto.

Nos EUA, a prevalência do uso de opioides durante a gravidez mais que quadruplicou de 1999-2014 (de 1,5 por 100 internações por parto para 6,5). Os descendentes exibem um espectro amplo de déficits envolvendo cognição, função motora, função visual, linguagem e comportamento social. Entre os principais achados: exposição pré-natal a opioides (especialmente buprenorfina e metadona) causa prejuízo generalizado e difuso no desenvolvimento cerebral, com alterações estruturais (volumes menores de cérebro total, córtex, substância branca, cerebelo, tálamo, tronco encefálico, amígdala) e funcionais (conectividade alterada em múltiplas redes).A RM funcional mostrou:  Hipoconectividade em vias córtico-cerebelares e fronto-límbicas → associada a déficits motores, cognitivos, emocionais e comportamentais de longo prazo (TDAH, transtornos de conduta, problemas sociais).Hiperconectividade em circuitos límbicos, paralímbicos, occipitais e parietais → pode explicar reatividade aumentada neonatal e posteriores dificuldades em percepção social, linguagem e processamento visual.Mecanismos prováveis: opioides afetam progenitores neuronais ( diminuição da  proliferação e migração, aumento da  apoptose), astrócitos (sinaptogênese prejudicada) e oligodendrócitos (maturação e mielinização alteradas), levando a dismaturação cerebral ampla. A principal implicação clínica desses achados:recém-nascidos expostos devem ser identificados precocemente e acompanhados de forma intensiva e multidisciplinar (desenvolvimento cognitivo, motor, visual, comportamental e social), pois apresentam espectro amplo de sequelas neurodesenvolvimentais que persistem além da síndrome de abstinência neonatal.

Prematuridade Extrema: O Limite da Viabilidade e As Implicações Éticas No Cuidado

Prematuridade Extrema: O Limite da Viabilidade e As Implicações Éticas No Cuidado

Rita Silveira (RS). I Fórum de Neonatologia do Conselho Federal de Medicina, 30/1/2026.

Realizado por Paulo R. Margotto.

Essa Palestra deixou com muita clareza  essa mensagem para reflexão: O limite da viabilidade não é apenas um número, é um espaço de incertezas onde ciência, ética e humanidade se encontram. O neonatologista, não apenas salva vidas, ele molda histórias com responsabilidade e compaixão. É necessário, sim, conhecer as morbidades que impactam na qualidade de vida e as potenciais intervenções precoces no segmento do prematuro, que é para garantir um desfecho um pouco melhor. E de forma bem importante, cada Centro de Neonatologia precisa ter o seu segmento após a alta estruturado para medir a viabilidade e a qualidade de vida das crianças que sobreviverão e precisa conhecer qual é a sua faixa de idade gestacional que tem tido maior sobrevida e baixar a idade gestacional. Sempre temos  que buscar melhorar. Se hoje morrem 100% com 23 semanas, vamos trabalhar para morrer 80%, 70%. Falar isso para família, “olha, você pode ser um primeiro a sobreviver”. Vamos usar o corticosteroide  pré-natal, vamos alinhar com a obstetrícia o sulfato de magnésio, vamos organizar a assistência em Sala de Parto. Organizar a nossa UTI Neonatal com as boas práticas e organizar o segmento. Esse é o nosso compromisso.

ÁUDIO POR IA: TESE DE DOUTORADO (UNB):APRESENTAÇÃO:Análise Comparativa de Mediadores Inflamatórios no Momento do Parto:Diálogo Entre Mães Expostas ao SARS-COV-2 na Gestação e seus Recém-Nascidos

ÁUDIO POR IA: TESE DE DOUTORADO (UNB):APRESENTAÇÃO:Análise Comparativa de Mediadores Inflamatórios no Momento do Parto:Diálogo Entre Mães Expostas ao SARS-COV-2 na Gestação e seus Recém-Nascidos

MARIA EDUARDA CANELLAS DE CASTRO Orientador: Prof. Dr. Alexandre Anderson de Sousa Munhoz Soares BANCA EXAMINADORA: Dr. Alexandre Anderson de Sousa Munhoz Soares (Presidente);Dra. Meimei Guimarães Junqueira de Queirós; Dra. Marta David Rocha de Moura; Dr. Paulo Roberto Margotto; Dr. Luiz Sérgio Fernandes de Carvalho.

Tese apresentada como requisito parcial para obtenção do título de Doutor em Ciências Médicas pelo Programa de Pós-graduação em Ciências Médicas da Universidade de Brasília (UNB).  Essa Tese  trás contribuições importantes sobre o impacto da COVID-19 em gestantes com foco na interface  imunológica  materno-fetal Sabemos que não se comprovou veementemente  a transmissão  viral para o feto, no entanto esse estudo  mostrou esse “crostalk” (conversa cruzada) entre as gestantes expostas a COVID-19 e seu bebê. Entre os pontos mais interessantes  estão a) os riscos aumentados de prematuridade e restrição do crescimento intrauterino, mais admissão na UTI Neonatal e complicações cerebrovasculares e neurológicas b) impactos no neurodesenvolvimento infantil, como atrasos  no desenvolvimento neuropsicomotor aos 6-12 meses, especialmente no domínio da linguagem (como demonstrado pelo grupo desses autores anteriormente). A tese  enfatiza  que mesmo sem transmissão vertical rara, há  um “priming in utero” que modula a imunidade  neonatal  e pode afetar o cérebro em desenvolvimento. Mostrou também que  o sangue do cordão umbilical  não reflete passivamente  o soro materno (há  respostas imunológicas  independentes no feto com elevações  maiores  (em até 15x mais)   em certos mediadores, contrastando com o declínio no soro materno,  sugerindo  mecanismos fetais autônomos. No entanto é preocupante  a diminuição da Interleucina-10. Esses resultados enfatizam a importância  de abordagem integrativas  para a proteção materno-infantil, dadas às conseqüências duradouras no desenvolvimento infantil , mesmo que não tenha sido evidenciado transmissão vertical do vírus!

TESE DE DOUTORADO (UNB):APRESENTAÇÃO:Análise Comparativa de Mediadores Inflamatórios no Momento do Parto:Diálogo Entre Mães Expostas ao SARS-COV-2 na Gestação e seus Recém-Nascidos

TESE DE DOUTORADO (UNB):APRESENTAÇÃO:Análise Comparativa de Mediadores Inflamatórios no Momento do Parto:Diálogo Entre Mães Expostas ao SARS-COV-2 na Gestação e seus Recém-Nascidos

MARIA EDUARDA CANELLAS DE CASTRO Orientador: Prof. Dr. Alexandre Anderson de Sousa Munhoz Soares BANCA EXAMINADORA: Dr. Alexandre Anderson de Sousa Munhoz Soares (Presidente);Dra. Meimei Guimarães Junqueira de Queirós; Dra. Marta David Rocha de Moura; Dr. Paulo Roberto Margotto; Dr. Luiz Sérgio Fernandes de Carvalho

Tese apresentada como requisito parcial para obtenção do título de Doutor em Ciências Médicas pelo Programa de Pós-graduação em Ciências Médicas da Universidade de Brasília (UNB).  Essa Tese  trás contribuições importantes sobre o impacto da COVID-19 em gestantes com foco na interface  imunológica  materno-fetal Sabemos que não se comprovou veementemente  a transmissão  viral para o feto, no entanto esse estudo  mostrou esse “crostalk” (conversa cruzada) entre as gestantes expostas a COVID-19 e seu bebê. Entre os pontos mais interessantes  estão a) os riscos aumentados de prematuridade e restrição do crescimento intrauterino, mais admissão na UTI Neonatal e complicações cerebrovasculares e neurológicas b) impactos no neurodesenvolvimento infantil, como atrasos  no desenvolvimento neuropsicomotor aos 6-12 meses, especialmente no domínio da linguagem (como demonstrado pelo grupo desses autores anteriormente). A tese  enfatiza  que mesmo sem transmissão vertical rara, há  um “priming in utero” que modula a imunidade  neonatal  e pode afetar o cérebro em desenvolvimento. Mostrou também que  o sangue do cordão umbilical  não reflete passivamente  o soro materno (há  respostas imunológicas  independentes no feto com elevações  maiores  (em até 15x mais)   em certos mediadores, contrastando com o declínio no soro materno,  sugerindo  mecanismos fetais autônomos. No entanto é preocupante  a diminuição da Interleucina-10. Esses resultados enfatizam a importância  de abordagem integrativas  para a proteção materno-infantil, dadas às conseqüências duradouras no desenvolvimento infantil , mesmo que não tenha sido evidenciado transmissão vertical do vírus!

TESE DE DOUTORADO (UNB):ANÁLISE COMPARATIVA DE MEDIADORES INFLAMATÓRIOS NO MOMENTO DO PARTO: DIÁLOGO ENTRE MÃES EXPOSTAS AO SARS-COV-2 NA GESTAÇÃO E SEUS RECÉM-NASCIDOS

TESE DE DOUTORADO (UNB):ANÁLISE COMPARATIVA DE MEDIADORES INFLAMATÓRIOS NO MOMENTO DO PARTO: DIÁLOGO ENTRE MÃES EXPOSTAS AO SARS-COV-2 NA GESTAÇÃO E SEUS RECÉM-NASCIDOS

MARIA EDUARDA CANELLAS DE CASTRO

Orientador: Prof. Dr. Alexandre Anderson de Sousa Munhoz Soares

BANCA EXAMINADORA: Dr. Alexandre Anderson de Sousa Munhoz Soares (Presidente);Dra. Meimei Guimarães Junqueira de Queirós; Dra. Marta David Rocha de Moura; Dr. Paulo Roberto Margotto; Dr. Luiz Sérgio Fernandes de Carvalho   

 

Nossos resultados fornecem fortes evidências de que o perfil imunológico do sangue do cordão umbilical não reflete passivamente o do soro materno, mas apresenta assinaturas imunológicas distintas e dinâmicas em resposta à exposição pré-natal ao SARS-CoV-2. A persistência de elevações em mediadores como CCL11, IFN-γ, IL1-Ra e G-CSF no sangue do cordão umbilical, independentemente do estágio da infecção materna, sugere um fenômeno de “preparação in utero” (utero priming) que pode modular a imunidade neonatal a longo prazo. As marcadas diferenças nos níveis de mediadores como PDGF e G-CSF entre o soro materno e o sangue do cordão umbilical, especialmente durante a convalescença, reforçam a necessidade de considerar a interface materno-fetal como compartimentos imunológicos distintos. Essas descobertas apoiam a hipótese de uma complexa interação entre o soro materno e o microambiente do sangue do cordão umbilical que pode impactar o desenvolvimento fetal. Coletivamente, essas evidências sobre a comunicação materno-fetal são cruciais para subsidiar o aprimoramento da prática clínica e das políticas de saúde pública, visando o manejo da exposição pré-natal à infecção por SARS-CoV-2 e a proteção da saúde de mães e neonatos durante e após a pandemia.

 

Desenvolvimento de crianças de 7 a 8 anos após exposição intrauterina a inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS) — resultados do estudo de coorte prospectivo holandês SMOK

Desenvolvimento de crianças de 7 a 8 anos após exposição intrauterina a inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS) — resultados do estudo de coorte prospectivo holandês SMOK

Development of children at age 78 years after intrauterine exposure to selective serotonin reuptake inhibitors (SSRIs) – Results from the Dutch prospective cohort SMOK study.van der Veere CN, den Heijer AE, Bos AF.Early Hum Dev. 2025 Sep 26;211:106405. doi: 10.1016/j.earlhumdev.2025.106405. Online ahead of print.PMID: 41038152.

Realizado por Paulo R. Margotto.

 

O presente  estudo de coorte prospectivo holandês que acompanhou crianças expostas in utero a ISRS- (n ≈ 40) e não expostas (n ≈ 39) até os 7-8 anos de idade, com avaliação detalhada de QI, funções executivas, atenção, comportamento, responsividade social, teoria da mente e desenvolvimento motor, controlando para psicopatologia materna (depressão e ansiedade) indica que meninos e meninas apresentam consequências diferentes em seus resultados aos 7-8 anos de idade após a exposição pré-natal aos ISRS. Os meninos parecem ser mais vulneráveis ​​à exposição a ISRSs durante a vida fetal, apresentando mais sinais de problemas comportamentais e comprometimento social associados a transtornos do espectro autista, enquanto o comportamento das meninas parece estar principalmente relacionado aos problemas de saúde mental de suas mães durante a gravidez e na idade da avaliação. Portanto, a exposição pré-natal a ISRSs está associada a um risco aumentado de problemas comportamentais e comprometimento social relacionados a transtornos do espectro autista apenas em meninos

 

Lesão cerebral e comprometimento do neurodesenvolvimento a longo prazo em crianças após Transfusão Feto-Materna grave: um estudo de coorte retrospectivo

Lesão cerebral e comprometimento do neurodesenvolvimento a longo prazo em crianças após Transfusão Feto-Materna grave: um estudo de coorte retrospectivo

Cerebral injury and longterm neurodevelopment impairment in children following severe fetomaternal transfusion: a retrospective cohort study. El Emrani S, van der Hoorn ML, Tan RNGB, Steggerda SJ, de Vries LS, Haak MC, van Klink JMM, de Haas M, van der Meeren LE, Lopriore E.Arch Dis Child Fetal Neonatal Ed. 2025 Aug 19;110(5):473-478. doi: 10.1136/archdischild-2024-328135.PMID: 39870509.Holanda.

Realizado por Paulo R. Margotto.

A Transfusão Feto-Materna (FMT) é a passagem de células sanguíneas fetais para a circulação materna. Uma FMT é definida como grave quando há detecção de ≥ 30 mL de hemácias fetais (RBCs) na circulação materna. Os achados deste estudo retrospectivo com neonatos em uma UTI Neonatal terciária holandesa destacam a gravidade da FMT:• Desfecho Adverso (Composto): A mortalidade neonatal ou morbidade neurológica de longo prazo (incluindo lesão cerebral grave e/ou comprometimento do neurodesenvolvimento – NDI) ocorreu em 38% a 50% das crianças com FMT grave. • NDI de Longo Prazo: Até um em cada cinco sobreviventes (22%) após FMT grave pode sofrer de Comprometimento do Neurodesenvolvimento (NDI) de longo prazo. • Asfixia Perinatal: A asfixia perinatal foi diagnosticada em 25% dos neonatos com FMT grave, em comparação com 6% no grupo FMT leve. Em suma, o estudo enfatiza que a FMT grave está associada a um risco aumentado de mortalidade neonatal e sequelas neurológicas de curto e longo prazo, justificando a necessidade urgente de acompanhamento de rotina de longo prazo em todos os recém-nascidos afetados. Além disso, é necessário um consenso internacional sobre o valor de corte clinicamente significativo para FMT grave.

ONG DA PREMATURIDADE 10 ANOS! COORDENAÇÃO GERAL: Denise Suguitani: 1o ENCONTRO NACIONAL DA PREMATURIDADE (São Paulo, 15/6/2025): A importância da qualificação do pré-natal na prevenção da prematuridade

ONG DA PREMATURIDADE 10 ANOS! COORDENAÇÃO GERAL: Denise Suguitani: 1o ENCONTRO NACIONAL DA PREMATURIDADE (São Paulo, 15/6/2025): A importância da qualificação do pré-natal na prevenção da prematuridade

Adriano Paião.

Realizado por Paulo R. Margotto.

O acesso à progesterona é um ponto chave: apenas uma a cada cinco mulheres teve acesso à progesterona para evitar parto prematuro, com menor acesso na rede pública,  a progesterona tem evidência bem estabelecida, reduzindo o risco de prematuridade em 35% a 50% em mulheres de risco, falta de disponibilização da progesterona no SUS.

ONG DA PREMATURIDADE 10 ANOS! COORDENAÇÃO GERAL: Denise Suguitani: 1o ENCONTRO NACIONAL DA PREMATURIDADE (São Paulo, 15/6/2025):Papel da enfermagem, especialmente das enfermeiras obstétricas e obstetrizes, na diminuição dos partos prematuros no Brasil

ONG DA PREMATURIDADE 10 ANOS! COORDENAÇÃO GERAL: Denise Suguitani: 1o ENCONTRO NACIONAL DA PREMATURIDADE (São Paulo, 15/6/2025):Papel da enfermagem, especialmente das enfermeiras obstétricas e obstetrizes, na diminuição dos partos prematuros no Brasil

Marlise Lima.

Realizado por Paulo R. Margotto.

Atenção e cuidado continuado por enfermeiras obstétricas pode impactar positivamente os desfechos da gestação, incluindo a prematuridade e o baixo peso ao nascer.

ONG DA PREMATURIDADE 10 ANOS! COORDENAÇÃO GERAL: Denise Suguitani: 1o ENCONTRO NACIONAL DA PREMATURIDADE (São Paulo, 15/6/2025):Gravidez na adolescência e Políticas de Saúde Pública

ONG DA PREMATURIDADE 10 ANOS! COORDENAÇÃO GERAL: Denise Suguitani: 1o ENCONTRO NACIONAL DA PREMATURIDADE (São Paulo, 15/6/2025):Gravidez na adolescência e Políticas de Saúde Pública

Denise Leite OCampos

Realizado por Paulo R. Margotto.

Em 2023, o Brasil registrou quase 12% de partos prematuros, totalizando cerca de 340.000 bebês prematuros, o que significa seis a cada 10 minutos; adolescentes entre 10 e 13 anos têm um risco 56% maior de parto prematuro em comparação com mulheres adultas.