Hiperbilirrubinemia Neonatal-2019

Hiperbilirrubinemia Neonatal-2019

Paulo R. Margotto.

Capitulo do Livro Assistência ao Recém-Nascido de Risco, 4a Edição, Brasília, 2019, no Prelo.

Icterícia é a coloração amarelada da pele, mucosas e escleróticas devido a uma elevação da concentração de bilirrubinas séricas que surge em decorrência da incapacidade do fígado em conjugar toda bilirrubina produzida.

Apresenta etiologias diversas, sendo a manifestação clínica mais freqüente do período neonatal, e as conseqüências podem ser graves uma vez que pode levar a lesão  do sistema nervoso central (SNC).

A icterícia clínica é altamente prevalente  no período neonatal, afetando até 84% de recém-nascidos saudáveis ≥ 35 semanas de gestação na primeira semana de vida. Anualmente, grave hiperbilirrubinemia, definida como total bilirrubina total sérica > 20 mg/dL, afeta 1,1 milhão de bebês, e hiperbilirrubinemia extrema (bilirrubina total séria >25 mg /dL) afeta 481 000 lactentes. Em países de alta renda, kernicterus foi virtualmente eliminado com maior acesso ao rastreio precoce e tratamento com fototerapia de alta intensidade. No entanto, em  países de renda média, acesso a triagem, monitoramento e tratamento de hiperbilirrubinemia é limitado. Nesses cenários, cerca de 6 milhões bebês que precisam de fototerapia não o fazem. Aproximadamente um terço de bebês com extrema hiperbilirrubinemia morrem e 44% desenvolvem encefalopatia grave.

“O kernicterus é somente prevenível, mas a  severa hiperbilirrubinemia é prevenível e tratável.”