Mês: março 2018

DIAGNÓSTICO E MANUSEIO DAS CONVULSÕES NEONATAIS

DIAGNÓSTICO E MANUSEIO DAS CONVULSÕES NEONATAIS

Krisa Van Meurs (Estados Unidos). 23o Congresso Brasileiro de Perinatologia, 14 a 17 de setembro de 2016, Gramado, RS. Realizado por Paulo R. Margotto, Professor de Neonatologia (6a Série da Faculdade de Medicina da Universidade Católica de Brasília); Hospital Materno Infantil de Brasília (SES/DF).

As convulsões neonatais podem ser o primeiro e único sinal clínico de distúrbio do sistema nervoso central no recém-nascido e devido a baixa acurácia do diagnóstico baseado em sinais clínicos e a falta de estudos baseados em populações usando o EEG convencional (EEGc), a verdadeira incidência só pode ser estimada. Como já sabemos, as convulsões ocorrem mais em recém-nascidos (o cérebro neonatal é hiperexcitável, em relação ao do adulto) devido a:-crítico período de sinaptogênese; -receptores glutamatos (excitatórios) são abundantes;  receptores GABA (inibitórios) estão reduzidos (estes receptores exercem uma ação excitatória paradoxal nos neurônios imaturos devido ao aumento da expressão do transportador NKCCI. Durante toda a Conferência foi enfatizada importância do Eletroencefalograma, tanto convencional(EEGc), como o de amplitude (EEGa). Historicamente o diagnóstico de convulsão foi mais frequentemente baseado em sinais clínicos. No entanto, os estudos de EEG demonstraram que nem todo evento clínico suspeito é convulsão epiléptica (muitas convulsões neonatais são subclínicas). Assim o              diagnóstico impreciso de convulsão tem importantes conseqüências:, como subtratamento nos neonatos com convulsões subclínicas e exposição desnecessária a anticonvulsivantes nos   neonatos com atividade motora suspeita. Apenas 1/3 das crises EEGs se expressam clinicamente, além dos neonatologistas não reconhecerem ou interpretaram mal estas manifestações clínicas. Além do mais, o monitoramento EEG documenta a contínua expressão EEG após o uso de drogas antiepilépticas, após a supressão completa ou parcial dos comportamentos clínicos convulsivos (58% das convulsões persistentes tiveram desacoplamento de expressões elétricas e clínicas de convulsões). Sinais clínicos são ausentes em 89-90% nas convulsões eletrográficas. A definição de Status Epilepticus proposta para os neonatos é: convulsões presentes em mais de 50% do tempo gravado. Vejam o Guideline para a monitorização contínua EEG nos neonatos:1-recém-nascidos com alto risco para convulsões deveriam ser monitorizados por 24 horas. Se detectadas convulsões, a monitorização deveria continuar até pelo menos 24 horas sem convulsão;2-revisão por neurofisiologista após 1 hora de gravação e, depois, 2 vezes ao dia ou mais freqüentemente se clinicamente indicado, com relatos diários escritos; 3-observador ao lado do leito para documentar eventos clínicos suspeitos de convulsões, administração de drogas, alimentação; 4-EEGa ao lado do leito. Na abordagem terapêutica, os fatores a serem considerados são: duração, severidade e etiologia da convulsão; breves convulsões secundárias a distúrbios metabólicos reversíveis (como hipoglicemia) não requerem anticonvulsivante, enquanto convulsões devido a outras etiologias e que são prolongadas, deverão ser tratadas. A abordagem comum de tratar as convulsões clínicas sem a confirmação EEG resulta em tratamento inadequado das verdadeiras convulsões e expõem alguns recém-nascidos a medicações desnecessárias e potencialmente prejudiciais. O EEG convencional é crítico no diagnóstico e tratamento das convulsões. O ótimo protocolo para o tratamento das convulsões neonatais permanece desconhecido sendo urgentemente necessários mais estudos! Entre as novas drogas, bumetanide teve limitada redução na convulsão, além do maior risco de perda auditiva. Estamos aguardando os resultados do estudo de eficácia do levetiracetam (40-60mg/kg endovenoso no controle de convulsões comparado ao fenobarbital (20-40mg/kg) quando usado  como terapia de primeira linha. O tratamento das convulsões EEGs demonstrou melhor resultado na ressonância magnética a termo. Assim até que o EEG convencional seja amplamente disponível, provavelmente muitos bebês com convulsões não serão identificados, com maiores riscos de lesão cerebral  enquanto outros serão tratados desnecessariamente, expondo-os aos efeitos adversos dos anticonvulsivantes. Cuidado acompanhamento deve ser realizado nos neonatos que saem em uso de anticonvulsivantes (exposição prolongada ao fenobarbital pode inibir o crescimento cerebral a afetar adversamente o neurodesenvolvimento).

 

Hemorragia Pulmonar-2018

Hemorragia Pulmonar-2018

Autor: Paulo R. Margotto. Capítulo do Livro Assistência ao Recém-Nascido de Risco, Hospital de Ensino Materno Infantil de Brasília, 4a Edição, 2018, em preparação.

A hemorragia pulmonar é definida pela presença de secreção tinta de sangue na sucção do tubo endotraqueal, acompanhado por um aumento no índice de oxigenação maior que 100% do valor imediatamente antes da ocorrência da hemorragia pulmonar.Ocorre com 2-4 dias de vida, principalmente em recém-nascidos ventilados com severo quadro de doença da membrana hialina que recebeu surfactante pulmonar. Maciça hemorragia pulmonar no recém-nascido (RN) freqüentemente está associada à doença da membrana hialina, podendo ser, freqüentemente indistinguível desta do ponto de vista radiológico. Estudo recente a partir de 596 411 crianças (de 340 Unidades de Terapia Intensiva Neonatal da Rede Pediatrix dos Estados Unidos de 2005 a 2014 sem anomalias congênitas), os autores identificaram  2799 com diagnóstico de hemorragia pulmonar. A incidência máxima foi de 86,9 casos por 1000 admissões para neonatos nascidos às 24 semanas de gestação. Os sobreviventes tiveram exposição mais freqüente aos esteróides pré-natais, mais provável de nascer por parto por cesariana e teve idade gestacional significativamente maior e peso ao nascer e  também tiveram exposição significativamente menor aos pressores.

 

 

O ZIKA VÍRUS INFECTA PROGENITORES DA CÓRTEX NEURAL HUMANA E ATENUA SEU CRESCIMENTO

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Tang H, Hammack C, Ogden SC, Wen Z, Qian X, Li Y, Yao B, Shin J, Zhang F, Lee EM, Christian KM, Didier RA, Jin P, Song H, Ming GL. 
Cell Stem Cell. 2016 Mar 3.  

Realizado por Paulo R. Margotto, Prof. de Neonatologia  (6a Série) da Faculdade de Medicina da Universidade Católica de Brasília)