Prematuridade Extrema: O Limite da Viabilidade e As Implicações Éticas No Cuidado
Rita Silveira (RS). I Fórum de Neonatologia do Conselho Federal de Medicina, 30/1/2026.
Realizado por Paulo R. Margotto.
Essa Palestra deixou com muita clareza essa mensagem para reflexão: O limite da viabilidade não é apenas um número, é um espaço de incertezas onde ciência, ética e humanidade se encontram. O neonatologista, não apenas salva vidas, ele molda histórias com responsabilidade e compaixão. É necessário, sim, conhecer as morbidades que impactam na qualidade de vida e as potenciais intervenções precoces no segmento do prematuro, que é para garantir um desfecho um pouco melhor. E de forma bem importante, cada Centro de Neonatologia precisa ter o seu segmento após a alta estruturado para medir a viabilidade e a qualidade de vida das crianças que sobreviverão e precisa conhecer qual é a sua faixa de idade gestacional que tem tido maior sobrevida e baixar a idade gestacional. Sempre temos que buscar melhorar. Se hoje morrem 100% com 23 semanas, vamos trabalhar para morrer 80%, 70%. Falar isso para família, “olha, você pode ser um primeiro a sobreviver”. Vamos usar o corticosteroide pré-natal, vamos alinhar com a obstetrícia o sulfato de magnésio, vamos organizar a assistência em Sala de Parto. Organizar a nossa UTI Neonatal com as boas práticas e organizar o segmento. Esse é o nosso compromisso.
ÁUDIO POR IA: TESE DE DOUTORADO (UNB):APRESENTAÇÃO:Análise Comparativa de Mediadores Inflamatórios no Momento do Parto:Diálogo Entre Mães Expostas ao SARS-COV-2 na Gestação e seus Recém-Nascidos
MARIA EDUARDA CANELLAS DE CASTRO Orientador: Prof. Dr. Alexandre Anderson de Sousa Munhoz Soares BANCA EXAMINADORA: Dr. Alexandre Anderson de Sousa Munhoz Soares (Presidente);Dra. Meimei Guimarães Junqueira de Queirós; Dra. Marta David Rocha de Moura; Dr. Paulo Roberto Margotto; Dr. Luiz Sérgio Fernandes de Carvalho.
Tese apresentada como requisito parcial para obtenção do título de Doutor em Ciências Médicas pelo Programa de Pós-graduação em Ciências Médicas da Universidade de Brasília (UNB). Essa Tese trás contribuições importantes sobre o impacto da COVID-19 em gestantes com foco na interface imunológica materno-fetal Sabemos que não se comprovou veementemente a transmissão viral para o feto, no entanto esse estudo mostrou esse “crostalk” (conversa cruzada) entre as gestantes expostas a COVID-19 e seu bebê. Entre os pontos mais interessantes estão a) os riscos aumentados de prematuridade e restrição do crescimento intrauterino, mais admissão na UTI Neonatal e complicações cerebrovasculares e neurológicas b) impactos no neurodesenvolvimento infantil, como atrasos no desenvolvimento neuropsicomotor aos 6-12 meses, especialmente no domínio da linguagem (como demonstrado pelo grupo desses autores anteriormente). A tese enfatiza que mesmo sem transmissão vertical rara, há um “priming in utero” que modula a imunidade neonatal e pode afetar o cérebro em desenvolvimento. Mostrou também que o sangue do cordão umbilical não reflete passivamente o soro materno (há respostas imunológicas independentes no feto com elevações maiores (em até 15x mais) em certos mediadores, contrastando com o declínio no soro materno, sugerindo mecanismos fetais autônomos. No entanto é preocupante a diminuição da Interleucina-10. Esses resultados enfatizam a importância de abordagem integrativas para a proteção materno-infantil, dadas às conseqüências duradouras no desenvolvimento infantil , mesmo que não tenha sido evidenciado transmissão vertical do vírus!
TESE DE DOUTORADO (UNB):APRESENTAÇÃO:Análise Comparativa de Mediadores Inflamatórios no Momento do Parto:Diálogo Entre Mães Expostas ao SARS-COV-2 na Gestação e seus Recém-Nascidos
MARIA EDUARDA CANELLAS DE CASTRO Orientador: Prof. Dr. Alexandre Anderson de Sousa Munhoz Soares BANCA EXAMINADORA: Dr. Alexandre Anderson de Sousa Munhoz Soares (Presidente);Dra. Meimei Guimarães Junqueira de Queirós; Dra. Marta David Rocha de Moura; Dr. Paulo Roberto Margotto; Dr. Luiz Sérgio Fernandes de Carvalho
Tese apresentada como requisito parcial para obtenção do título de Doutor em Ciências Médicas pelo Programa de Pós-graduação em Ciências Médicas da Universidade de Brasília (UNB). Essa Tese trás contribuições importantes sobre o impacto da COVID-19 em gestantes com foco na interface imunológica materno-fetal Sabemos que não se comprovou veementemente a transmissão viral para o feto, no entanto esse estudo mostrou esse “crostalk” (conversa cruzada) entre as gestantes expostas a COVID-19 e seu bebê. Entre os pontos mais interessantes estão a) os riscos aumentados de prematuridade e restrição do crescimento intrauterino, mais admissão na UTI Neonatal e complicações cerebrovasculares e neurológicas b) impactos no neurodesenvolvimento infantil, como atrasos no desenvolvimento neuropsicomotor aos 6-12 meses, especialmente no domínio da linguagem (como demonstrado pelo grupo desses autores anteriormente). A tese enfatiza que mesmo sem transmissão vertical rara, há um “priming in utero” que modula a imunidade neonatal e pode afetar o cérebro em desenvolvimento. Mostrou também que o sangue do cordão umbilical não reflete passivamente o soro materno (há respostas imunológicas independentes no feto com elevações maiores (em até 15x mais) em certos mediadores, contrastando com o declínio no soro materno, sugerindo mecanismos fetais autônomos. No entanto é preocupante a diminuição da Interleucina-10. Esses resultados enfatizam a importância de abordagem integrativas para a proteção materno-infantil, dadas às conseqüências duradouras no desenvolvimento infantil , mesmo que não tenha sido evidenciado transmissão vertical do vírus!
Bebês com ≤24 Semanas não são apenas bebês extremamente prematuros menores
Infants ≤24 weeks are not just smaller extremely preterm infants.Rysavy MA, et al. J Perinatol. 2026. PMID: 41731047 Review.
Realizado por Paulo R. Margotto.
Entre os temas mais urgentes na medicina neonatal-perinatal atual está o Cuidado Intensivo de bebês nascidos com ≤24 semanas de gestação. Bebês nascidos entre 22 e 24 semanas representam aproximadamente 1 em cada 500 nascimentos vivos, com cerca de 7.500 bebês nascidos vivos anualmente nos EUA — mais comuns do que a síndrome de Down ou cardiopatias congênitas graves — e constituem 1 em cada 5 mortes infantis nos EUA. Existem grandes incertezas sobre as decisões clínicas, incluindo cuidados obstétricos, procedimentos na Sala de Parto, manejo da incubadora, nutrição, suporte respiratório e o ambiente ideal para o desenvolvimento. Em parceria com as famílias, podemos desenvolver uma base sólida para o cuidado médico seguro e eficaz de gestantes e bebês afetados pelo nascimento com ≤24 semanas.
Comunicação de Más Noticias e Suporte Parental na Neonatologia
Alessandra Maia (PE). I Fórum de Neonatologia do Conselho Federal de Medicina, 30/1/2026.
Realizado por Paulo R. Margotto.
Na Neonatologia, a comunicação não é um momento. É um processo clínico. Pais não se lembram de tudo o que foi dito, mas nunca esquecem como se sentiram. Na Neonatologia não escolhemos as noticias que teremos que dar. Mas escolheremos como estaremos presente ao dá-las. Então essa escolha é fundamental, ser presença, ser ético, ser humano. Isso vai fazer toda a diferença no acompanhamento e no cuidado na qualidade de vida do recém-nascido e da família.
Tomada de Decisão Compartilhada
Ana Claudia Y. Prestes (SP). I Fórum de Neonatologia do Conselho Federal de Medicina, 30/1/2026.
Realizado por Paulo R. Margotto.
Na Neonatologia, o conceito de AUTONOMIA SOLIDÁRIA refere-se a um modelo de tomada de decisão compartilhada onde a família não é deixada sozinha para decidir sobre o tratamento do recém-nascido, nem o médico decide de forma isolada. Diferente de uma “autonomia solitária”, na qual se ofereceria aos pais apenas um “cardápio” de opções técnicas para que escolhessem sem orientação, a autonomia solidária pressupõe que a equipe de saúde ofereça suporte técnico, acolhimento e sinceridade para construir, em conjunto com os responsáveis, o melhor plano de cuidado.
Aspectos Bioéticos do Paliativismo em Neonatologia
Lília Maria Caldas (BA). I Fórum de Neonatologia do Conselho Regional de Medicina, 30/1/2026.
Realizado por Paulo R. Margotto.
A questão talvez seja o que é cuidado paliativo na sua grandiosidade. Nem todas as pessoas que estão em cuidado paliativo estão em final de vida. E eu vou exemplificar a minha pessoa que estou em cuidados paliativos há 10 anos, mas eu não estou em final de vida, mas isso não me tira o direito de ser bem cuidada. É a mesma coisa para os nossos bebês, uma reflexão importante para pensarmos nisso
MONOGRAFIA DA UNIDADE DE NEONATOLOGIA DO HMIB-2026 (Apresentação):Cuidados Paliativos: um estudo com profissionais de saúde em uma Unidade de Terapia Intensiva Neonatal de referência do DF
Autora: Luísa Teixeira Fischer Dias / Orientadora: Evely Mirela Santos França.
Observou-se compreensão conceitual consistente, com reconhecimento do controle da dor (97,4%), do apoio à família (84,5%) e da integração de aspectos psicológicos e espirituais (78,4%). Entretanto, apenas 41,4% relataram sentir-se preparados, enquanto 53,4% referiram preparo parcial. A experiência foi considerada difícil ou muito difícil por 81,1%, destacando-se sentimentos de impotência (27,6%), insegurança (12,1%) e frustração (10,3%). A ausência de protocolos e fragilidades organizacionais emergiram como barreiras centrais. Conclusão: Apesar da base conceitual sólida, permanecem lacunas no preparo formal, na estrutura institucional e no suporte emocional às equipes. A consolidação dos cuidados paliativos neonatais na UTIN requer investimento em educação permanente, protocolos assistenciais e fortalecimento multiprofissional.
Proteína C-Reativa (PCR) versus Procalcitonina (PCT) no diagnóstico precoce da sepse neonatal: uma revisão sistemática
C–reactive Protein Versus Procalcitonin in the Early Diagnosis of Neonatal Sepsis: A Systematic Review. Sundara SV, Lu X, Busmail H, Weerakoon S, Avula S, Mandefro BT, Mohammed L.Cureus. 2025 Aug 17;17(8):e90353. doi: 10.7759/cureus.90353. eCollection 2025 Aug.PMID: 40970024.
Realizado por Paulo R. Margotto
O diagnóstico preciso e oportuno da sepse neonatal é crucial para reduzir a mortalidade, ao mesmo tempo em que previne a exposição desnecessária e potencialmente prejudicial a antibióticos em neonatos não infectados. Um biomarcador ideal deve exibir alta sensibilidade e alta especificidade, bem como valores preditivos positivos e negativos fortes. Esta revisão sistemática demonstra o forte potencial diagnóstico da PCT, particularmente no diagnóstico precoce de sepse neonatal. Além disso, a precisão diagnóstica da PCT é aprimorada quando usada em combinação com outros biomarcadores, incluindo a PCR. A PCR exibe um aumento atrasado, tipicamente 6-12 horas após o início da infecção, e uma meia-vida curta de 24-48 horas [1-3,5,12,16]. Vários fatores perinatais ocasionam o seu aumento. Essa limitação reduz sua sensibilidade, particularmente para o diagnóstico de sepse de início precoce, frequentemente resultando em uso prolongado de antibióticos empíricos e riscos associados. No entanto a PCR tem alta especificidade. A PCT é liberada na corrente sanguínea muito rapidamente após exposição bacteriana sistêmica (tanto na SEPSE DE INICIO precoce como sepse de inicio TARDIO), dentro de duas a quatro horas, atinge seu pico dentro de seis a oito horas e permanece elevada por até 48 horas. PCT foi benéfica em guiar a terapia antibiótica. Neonatos sendo tratados para suspeita de sepse precoce e alocados para terapia guiada por PCT receberam uma duração mais curta de terapia antibiótica comparada ao cuidado padrão. Valores de PCT também indicam gravidade, e eles diminuem rapidamente após o início da terapia antibiótica. Uma vez que os valores retornam ao normal, os antibióticos podem ser parados.


