Categoria: Urgências Cirúrgicas

Corioamnionite materna e risco de enterocolite necrosante nos Estados Unidos: um estudo de coorte nacional

Corioamnionite materna e risco de enterocolite necrosante nos Estados Unidos: um estudo de coorte nacional

Maternal chorioamnionitis and the risk for necrotizing enterocolitis in the United States: A national cohort study.

Farghaly MAA, Alzayyat S, Kassim D, Taha SA, Aly H, Mohamed MA.Early Hum Dev. 2024 Oct;197:106108. doi: 10.1016/j.earlhumdev.2024.106108. Epub 2024 Aug 22.PMID: 39178630 Artigo Gratis!

Realizado por Paulo R, Margotto.

Este é o maior estudo a avaliar a corioamnionite como um fator de risco para enterocolite necrosante (NEC) com base em um conjunto de dados de quase 19 milhões de bebês prematuros e nascidos a termo. A corioamnionite foi associada a um aumento na incidência de NEC (OR ajustada de 1,12 com IC a 95% de 1,02-1,15), principalmente na faixa de peso entre  2500 e 4599 g (OR ajustada de  1,61 com IC a 955% de 1,44-1,80). Vários mecanismos poderiam explicar plausivelmente a associação de corioamnionite com aumento de NEC. Fatores significativamente associados com aumento de NEC e encontrados em conjunto na corioamnionite incluíram:  infiltração de células polimorfonucleares do cordão umbilical,   reação em cadeia da polimerase microbiana positiva do líquido amniótico, colonização por Ureaplasma urealyticum e aumento de interleucina IL-6 e IL-8 no sangue do cordão umbilical. Pesquisas futuras, com base nessas descobertas, podem ser fundamentais para orientar os profissionais de saúde sobre o tratamento de pacientes grávidas com corioamnionite e a prevenção e tratamento de casos de NEC.

O Enigma da Lesão Intestinal em Bebês Prematuros que Recebem Leite da Própria Mãe.

O Enigma da Lesão Intestinal em Bebês Prematuros que Recebem Leite da Própria Mãe.

The conundrum of intestinal injury in preterm infants receiving mother’s own milk.Malamitsi-Puchner A, Briana DD, Neu J.J Perinatol. 2024 Sep 19. doi: 10.1038/s41372-024-02125-9. Online ahead of print.PMID: 39300239 Review. Estados Unidos.

Realizado por Paulo R. Margotto.

 

O estágio I não é mais considerado por alguns como enterocolite necrosante (NEC), e nem todas as condições que chamamos de “NEC” podem ter um quadro necrótico completo. Especificamente, mudanças microbianas deletérias, documentadas usando técnicas de sequenciamento de 16S rRNA e metagenômica, revelaram diminuição de Firmicutes e Bacteroidetes e aumento de filos de Proteobacteria nas fezes de bebês prematuros, ocorrendo antes do início da “NEC. O receptor Toll-like 4 (TLR4) é considerado um fator importante responsável, por vários mecanismos, por uma barreira intestinal lesionada resultando em necrose intestinal em humanos e modelos animais de lesão intestinal. O leite humano contem numerosos agentes bioativos protetores para o desenvolvimento do intestino do vulnerável bebê prematuro (imunoglobulinas, predominantemente imunoglobulina A secretora sIgA, oligosacarpideos [Os], lactoferrina, lisozima, citocinas, fatores de crescimento, vesículas extracelulares e micro-RNAs). A sIgA materna é crucial, dada sua afinidade para se ligar a bactérias nocivas que causam inflamação, como Enterobacteriaceae , e promover o crescimento de anaeróbios obrigatórios, como Bacteroides e Firmicutes (pasteurização do leite de doadoras humanas não apenas reduz a quantidade de IgA, mas também sua capacidade de se ligar a bactérias e assim, o intestino também pode se tornar mais propenso a lesões com uma quantidade maior de bactérias não ligadas à IgA). Esses componentes que oferecem proteção mostram heterogeneidade de mãe para mãe e, em alguns casos, podem não estar presentes em quantidades protetoras. Os HMOs estão implicados no crescimento de Bifidobacteriaceae , que convertem HMOs em ácidos graxos de cadeia curta (AGCC e esses  servem como fonte de energia para o epitélio intestinal, atuado como imunorreguladores e inibem a adesão bacteriana ao epitélio intestinal. Vale a pena perguntar por que alguns bebês prematuros que recebem exclusivamente leite humano desenvolvem lesões intestinais? Estudos mostraram  que a concentração de HMO disialil-lacto-N-tetraose (DSLNT) foi significativamente menor em leite da própria mãe em casos de bebês prematuros desenvolvendo “NEC”, em comparação com os controles. A presente perspectiva elucida algumas razões pelas quais o leite materno nem sempre protege contra a “NEC”.

Tendências da Contagem Absoluta de Monócitos no Sangue em Recém-Nascidos Prematuros com Suspeita de Enterocolite Necrosante: uma Ferramenta Complementar para o Diagnóstico?

Tendências da Contagem Absoluta de Monócitos no Sangue em Recém-Nascidos Prematuros com Suspeita de Enterocolite Necrosante: uma Ferramenta Complementar para o Diagnóstico?

Blood absolute monocyte count trends in preterm infants with suspected necrotizing enterocolitis: an adjunct tool for diagnosis? Moroze M, Morphew T, Sayrs LW, Eghbal A, Holmes WN, Shafer G, Mikhael M.J Perinatol. 2024 Aug 1. doi: 10.1038/s41372-024-02070-7. Online ahead of print.PMID: 39090351

Realizado por Paulo R. Margotto.

A enterocolite necrosante (ECN) é caracterizada pela infiltração de macrófagos nos tecidos afetados. Como os macrófagos intestinais são derivados do recrutamento e diferenciação in situ de monócitos sanguíneos na mucosa intestinal, os autores mostraram que  o aumento do recrutamento de monócitos para o intestino durante a ECN reduz a concentração de monócitos sanguíneos e que essa queda nos monócitos sanguíneos pode ser um biomarcador útil para a ECN. Em pacientes com ECN estágio 2 ou 3, a contagem de monócitos  caiu em média 43% do valor basal no início da suspeita em comparação com aqueles sem ECN ou  ECN estágio 1(ECN estágio 1 pode não mostrar a mesma diminuição na contagem de monócitos devido à provável ausência de inflamação intestinal). Uma diminuição na contagem de monócitos  pode ser um biomarcador auxiliar para confirmar o diagnóstico de ECN.

Resultados do neurodesenvolvimento de prematuros com enterocolite necrosante: uma revisão sistemática e meta-análise

Resultados do neurodesenvolvimento de prematuros com enterocolite necrosante: uma revisão sistemática e meta-análise


Neurodevelopmental outcomes of preterm with necrotizing enterocolitis: a systematic review and metaanalysis.
Wang Y, Liu S, Lu M, Huang T, Huang L.Eur J Pediatr. 2024 Aug;183(8):3147-3158. doi: 10.1007/s00431-024-05569-5. Epub 2024 Apr 30.PMID: 38684534 Artigo Gratis! Review.

Realizado por Paulo R. Margotto.

As taxas de mortalidade para ECN permanecem altas, com estimativas atingindo 20–30%. Além disso, 9–36% das crianças sobreviventes enfrentam sequelas de longo prazo no sistema digestivo, como síndrome do intestino curto e estenose intestina, um fardo financeiro substancial para as famílias e a sociedade. A incidência de deficiente neurodesenvolvimento nessas crianças (pior se cirurgia) é de aproximadamente 40%, o dobro daquela em crianças sem ECN, além de maior incidência de hemorragia intraventricular, leucomalácia periventricular, paralisia cerebral (PC) e deficiência visual e auditiva grave em crianças com ECN.Esses achados foram demonstrados nessa metanálise envolvendo 60.346 participantes (33 estudos). A nutrição parenteral que excede 20 dias está associada ao comprometimento cognitivo em crianças com ECN de 2 a 3 anos. Nos complementos, a ocorrência  de infarto hemorrágico periventricular ocorre 2,8 vezes mais.

FALTA DE ALIMENTAÇÃO ENTERAL ASSOCIADA À MORTALIDADE NA PREMATURIDADE E ENTEROCOLITE NECROSANTE (ECN)

FALTA DE ALIMENTAÇÃO ENTERAL ASSOCIADA À MORTALIDADE NA PREMATURIDADE E ENTEROCOLITE NECROSANTE (ECN)

Lack of Enteral Feeding Associated with Mortality in Prematurity and Necrotizing Enterocolitis. Jeziorczak PM, Frenette RS, Aprahamian CJ.J Surg Res. 2022 Feb;270:266-270. doi: 10.1016/j.jss.2021.09.028. Epub 2021 Oct 26.PMID: 34715538.

Realizado por Paulo R. Margotto.

O objetivo principal deste estudo é avaliar o impacto da alimentação enteral na sobrevivência de neonatos prematuros entre 22-29 semanas e ECN. Houve um AUMENTO significativo na taxa de ECN para o grupo incapaz de obter alimentação enteral em comparação com aqueles capazes de obter alimentação enteral (nenhum um único paciente que conseguiu receber alimentação enteral morreu!). A diferença na taxa de infecção bacteriana é de 40,5%, enquanto a diferença na taxa cirúrgica é de 29,4%, sendo os neonatos incapazes de receber alimentação enteral mais altos em ambas as categorias. Existe uma associação significativa entre alimentação enteral e NEC, sobrevivência e taxas de infecção em neonatos prematuros. Estas descobertas apoiam a importância da imunidade intestinal e da microbiota na ECN.Nos complementos, segundo Josep Neu: alimentação trófica precoce não aumenta o risco de ECN ou mortalidade. Então:iniciar a alimentação trófica o mais rápido possível.No entanto, a nutrição parenteral associa-se a maior probabilidade de ECN (devido ao aumento da permeabilidade intestinal  facilitando  a translocação de bactérias devido ao malfuncionamento das junções de oclusões e da maior permeabilidade do trato gastrointestinal!!!). É a nutrição enteral que  faz o intestino crescer. Assim, não devemos ficar parados no 20ml/kg//dia por 5-10 dias. Uma progressão mais rápida da alimentação reduz o uso de nutrição parenteral, reduz o número de dias com acesso central permanente e reduz o tempo para atingir a nutrição enteral completa.  Portanto  o avanço mais rápido da alimentação tem sido  seguro tanto em bebês de baixo peso quanto de muito baixo peso.

 

Manejo da hérnia diafragmática congênita no Sydney Children´s Hospital Network

Manejo da hérnia diafragmática congênita no Sydney Children´s Hospital Network

Congenital Diaphragmatic Hernia Management 17 Follow-up. 17 References. 18. Guideline No20149056 v2 Guideline: Congenital Diaphragmatic Hernia Management. … See Figure 2. Guideline No20149056 v2 Guideline: Congenital Diaphragmatic Hernia Management. Guideline | Sydney Children’s Hospital Network. https://resources.schn.health.nsw.gov.au/policies/policies/2014-9056.pdf. 

Data da Publicação: Date of Publishing: 22 April 2021

Apresentação: Amanda Silva Franco Molinari. Coordenação: Diogo Pedroso

                                                          Residência em Neonatologia do HMIB/SE/DF (Ano 34)

  • A ventilação de alta frequência (VAF) é uma estratégia de proteção pulmonar para reduzir a lesão pulmonar associada ao ventilador.
  • A justificativa fisiológica para o uso da VAF deriva de sua capacidade de preservar o volume pulmonar expiratório final, evitando lesão pulmonar.
  • Nos complementos: os resultados do estudo recente de Semama C et al  sugerem que a VAF continua sendo uma escolha válida para a ventilação inicial de pacientes com hérnia diafragmática congênita
Hérnia diafragmática congênita: 25 anos de conhecimento compartilhado; e a sobrevivência?

Hérnia diafragmática congênita: 25 anos de conhecimento compartilhado; e a sobrevivência?

Congenital diaphragmatic hernia25 years of shared knowledge; what about survival? Lakshminrusimha S, Vali P.J Pediatr (Rio J). 2020 Sep-Oct;96(5):527-532. doi: 10.1016/j.jped.2019.10.002. Epub 2019 Oct 17.PMID: 31629706 Free PMC article. No abstract available. Artigo Gratis!

Apresentação: Anna Amélia  e Coordenação: Diogo Pedroso (Residência  de Neonatologia do HMIB/SES/DF).

Artigo do famoso Dr. Lakshminrusimha S. (os desenhos explicativos e educativos são seus). Salienta a importância do atraso do clampeamento do cordão, a ventilação suave com volumes baixos (3-4 mL/kg), pressões médias baixas de vias aéreas e baixa pressão expiratória final positiva (aceitando assim hipercapnia permissiva- os pulmões hipoplásico são sensíveis à ventilação-) e fornecer apoio à função cardíaca (principalmente a disfunção de VE), portanto, pode ser tão crítico quanto o manejo da hipertensão pulmonar em bebês com HDC.

Emergência Gastrintestinal em Neonatos e Crianças

Emergência Gastrintestinal em Neonatos e Crianças

Gastrointestinal Emergency in Neonates and Infants: A Pictorial Essay.Choi G, Je BK, Kim YJ.Korean J Radiol. 2022 Jan;23(1):124-138. doi: 10.3348/kjr.2021.0111.PMID: 34983099 . Review. Artigo Gratis!

Apresentação: Apresentação:  Amanda do Carmo Alves|R5 Neonatologia, Andiara Nattrodt| R3 pediatria HRPA. Coordenação: Dra Marta Rocha.

As emergências gastrointestinais (GI) em neonatos e bebês abrangem do início ao fim do trato GI. Tanto as condições congênitas quanto as adquiridas podem causar várias emergências gastrointestinais em neonatos e bebês. Dadas as descobertas clínicas sobrepostas ou inespecíficas de muitas emergências gastrointestinais neonatais e infantis diferentes e as características únicas desta faixa etária, a imagem apropriada é fundamental para um diagnóstico preciso e oportuno, evitando riscos desnecessários de radiação e custos médicos. Neste artigo, discutimos os achados radiológicos de emergências gastrointestinais neonatais e infantis essenciais, incluindo atresia esofágica e fístula traqueoesofágica, estenose hipertrófica do piloro, atresia duodenal, má rotação, vólvulo do intestino médio para emergências gastrointestinais superiores e atresia jejunoileal, íleo meconial, síndrome do tampão meconial, peritonite meconial, doença de Hirschsprung, malformação anorretal, enterocolite necrosante e intussuscepção para emergências gastrointestinais inferiores.

Nos complementos, caso clínico comprovado com biópsia, de 2018.Entre as complicações do pós-operatório, o destaque para a ENTEROCOLITE NECROSANTE. A enterocolite associada à doença de Hirschsprung é a maior causa de morbimortalidade após a operação definitiva (não ocorre em pacientes que estão com colostomia) e está associada à estase intestinal com proliferação de patógenos que invadem a mucosa e subsequente resposta inflamatória local e sistêmica.

Antibióticos empíricos precoces e resultados clínicos adversos em bebês nascidos muito prematuros: uma coorte de base populacional

Antibióticos empíricos precoces e resultados clínicos adversos em bebês nascidos muito prematuros: uma coorte de base populacional

Early Empirical Antibiotics and Adverse Clinical Outcomes in Infants Born Very Preterm: A Population-Based Cohort. Vatne A, Hapnes N, Stensvold HJ, Dalen I, Guthe HJ, Støen R, Brigtsen AK, Rønnestad AE, Klingenberg C; Norwegian Neonatal Network.J Pediatr. 2023 Feb;253:107-114.e5. doi: 10.1016/j.jpeds.2022.09.029. Epub 2022 Sep 28.PMID: 36179887. Artigo Gratis!

Realizado por Paulo R. Margotto.

Estudo da Rede Norueguesa de Neonatologia mostrou que a exposição precoce e prolongada a antibióticos na primeira semana pós-natal foi associada a ECN grave (2 vezes mais), DBP grave (2 vezes mais!) e morte após a primeira semana pós-natal (9 vezes mais!). Cada dia adicional de antibióticos foi associado a uma OR 14% maior de morte ou morbidade grave e DBP grave. NEM TUDO É SEPSE!!!

 

Sulfato de Magnésio Pré-Natal e Resultados Gastrointestinais Adversos em Bebês Prematuros – uma Revisão Sistemática e Metanálise.

Sulfato de Magnésio Pré-Natal e Resultados Gastrointestinais Adversos em Bebês Prematuros – uma Revisão Sistemática e Metanálise.

Antenatal Magnesium Sulfate and adverse gastrointestinal outcomes in Preterm infants-a systematic review and meta-analysis.v Prasath A, Aronoff N, Chandrasekharan P, Diggikar S.J Perinatol. 2023 Sep;43(9):1087-1100. doi: 10.1038/s41372-023-01710-8. Epub 2023 Jun 30.PMID: 37391507 Review.

Realizado por Paulo R. Margotto.

Um total de 38 estudos não randomizados  e 6 randomizados  envolvendo 51.466 prematuros incluídos na análise final mostrou que o sulfato de magnésio pré-natal não aumentou a incidência de morbidades ou mortalidade gastrointestinais em bebês prematuros. Com as atuais preocupações com as evidências, os efeitos adversos da administração de MgSO4 que levam a enterocolite necrosante ou perfuração intestinal espontânea ou mortalidade relacionada ao trato gastrointestinal em bebês prematuros não devem ser um obstáculo no seu uso rotineiro em mães pré-natais.