Categoria: Distúrbios Respiratórios

Diretrizes do Consenso Europeu sobre o Tratamento da Síndrome do Desconforto Respiratório: Atualização de 2022

Diretrizes do Consenso Europeu sobre o Tratamento da Síndrome do Desconforto Respiratório: Atualização de 2022

European Consensus Guidelines on the Management of Respiratory Distress Syndrome: 2022 Update.Sweet DG, Carnielli VP, Greisen G, Hallman M, Klebermass-Schrehof K, Ozek E, Te Pas A, Plavka R, Roehr CC, Saugstad OD, Simeoni U, Speer CP, Vento M, Visser GHA, Halliday HL.Neonatology. 2023;120(1):3-23. doi: 10.1159/000528914. Epub 2023 Feb 15.PMID: 36863329 Free PMC article. Artigo Livre!

Apresentação: Gabrielly Nascimento Ferreira – Residente de Neonatologia HMIB. Coordenação: Carlos Zaconeta

Evitar a ventilação mecânica (VM), se possível, ao mesmo tempo se esforçar para administrar o mais cedo possível o surfactante , de preferência utilizando o uso minimamente invasivo e quando em VM, utilizar o menor  tempo possível! Atrasar a extubação não melhora a chance de sucesso. O uso de CPAP é recomendado como primeira escolha para suporte respiratório primário e secundário. O suporte respiratório primário ou pós-extubação com NIPPV sincronizada foi a mais eficaz, diminuindo a necessidade de VM ou reventilação em bebês prematuros. Extubação para uma pressão de CPAP relativamente mais alta de 7–9 cm H2O ou NIPPV aumentará a chance de sucesso. Até o momento, os estudos sobre nebulização não mostraram de forma convincente nenhuma melhora significativa em bebês menores que deveriam se beneficiar mais.

Nebulização profilática de surfactante para aeração precoce do pulmão prematuro: ensaio clínico randomizado

Nebulização profilática de surfactante para aeração precoce do pulmão prematuro: ensaio clínico randomizado

Prophylactic surfactant nebulisation for the early aeration of the preterm lung: a randomised clinical trial. Gaertner VD, Minocchieri S, Waldmann AD, Mühlbacher T, Bassler D, Rüegger CM; SUNSET study group.Arch Dis Child Fetal Neonatal Ed. 2023 May;108(3):217-223. doi: 10.1136/archdischild-2022-324519. Epub 2022 Nov 24.PMID: 36424125 Clinical Trial.

Realizado por Paulo R. Margotto

Nesse estudo randomizado e controlado, com bebês de 26 sem a 31 sem 6 dias. no grupo de intervenção foi nebulizado  200 mg/kg de surfactante por meio de um nebulizador de membrana vibratória personalizado. Não foi encontrado  efeito significativo do surfactante nebulizado  profilático na SDR na impedância pulmonar expiratória final 30 minutos após o nascimento, quando comparado com o tratamento padrão. A deposição pulmonar de nebulizadores de membrana vibratória é estimada em apenas 5% a 20% em situações ideais. Diferentes interfaces, tipos de nebulizador e, mais importante, concentrações de surfactante devem ser pesquisados ​​antes da implementação em futuros estudos clínicos.

Associação entre tempo de resposta e hipoxemia intermitente em prematuros extremos

Associação entre tempo de resposta e hipoxemia intermitente em prematuros extremos

Association of response time and intermittent hypoxemia in extremely preterm infants. Martin S, Ackermann BW, Thome UH, Grunwald M, Müller SM.Acta Paediatr. 2023 Jul;112(7):1413-1421. doi: 10.1111/apa.16766. Epub 2023 Apr 1.PMID: 36947098.

Realizado por Paulo R. Margotto

Hipoxemia intermitente (HI) <80% de saturação de oxigênio (SpO 2) que duram mais de 60s têm um risco aumentado de afetar negativamente o desenvolvimento neurológico e motor. Este estudo investigou o efeito do tempo de resposta (TR) da equipe médica para HI de bebês prematuros com SpO2 abaixo de 80% na quantidade de queda de saturação e tempo até a normalização da SpO2.Nesse estudo bebês prematuros do sexo feminino apresentaram TR significativamente mais longo. A cada 10s de atraso da intervenção tátil, ocorreu uma queda adicional na saturação mediana de 3,7%. em apneias periódicas, pois a saturação de oxigênio cai duas vezes mais rápido do que durante eventos de apneia únicos.  Em termos de intervenções de HI táteis, o TR mais longo afeta a profundidade do declínio da saturação e leva a durações gerais de tratamento mais longas.

Complicações associadas ao uso incorreto de CPAP nasal

Complicações associadas ao uso incorreto de CPAP nasal

Complications associated with incorrect use of nasal CPAP.Massa-Buck B, Rastogi D, Rastogi S.J Perinatol. 2023 May 25. doi: 10.1038/s41372-023-01700-w. Online ahead of print.PMID: 37231122 Review.

Realizado por Paulo R. Margotto

Apesar dos resultados respiratórios melhores associados sem aumento nas principais morbidades associadas a neonatos prematuros, há escassez na literatura abordando complicações como lesão nasal, distensão abdominal (barriga de CPAP), síndromes de vazamento de ar (especialmente pneumotórax), perda auditiva, calor e queimaduras químicas, deglutição e aspiração de pequenos componentes da interface nasal e atraso na escalada de problemas respiratórios suporte associado ao uso do nCPAP, na maioria das vezes devido ao seu uso incorreto.

Desconforto Respiratório Neonatal Secundário à Síndrome de Aspiração de Mecônio

Desconforto Respiratório Neonatal Secundário à Síndrome de Aspiração de Mecônio

Neonatal Respiratory Distress Secondary to Meconium Aspiration Syndrome.Olicker AL, Raffay TM, Ryan RM.Children (Basel). 2021 Mar 23;8(3):246. doi: 10.3390/children8030246.PMID: 33806734 Free PMC article. Review.Artigo Livre!

Apresentação: R4 Neo Paolla Bomfim; R5 Neo Lucas do Carmo. Hospital Materno Infantil de Brasília, SES/DF.Coordenação: Carlos Alberto Moreno Zaconeta.

Se não houver sinais sistêmicos de sepse ou hemocultura positiva, não há indicação de administração prolongada de antibióticos simplesmente para aspiração de mecônio

Traqueostomia Neonatal: Uma trajetória difícil

Traqueostomia Neonatal: Uma trajetória difícil

Sara  B DeMauro (EUA).VIII Encontro Internacional de Neonatologia ocorrido em Gramado entre os dia 13-15 de abril de 2023.

Realizado por Paulo R. Margotto

São abordados o neurodesenvolvimento na displasia broncopulmonar (DBP) grave e  o momento da traqueostomia é importante. Como decidir? A DBP em si se associa ao atraso de desenvolvimento cognitivo, motor e de linguagem e  falha para andar independentemente, assim como falha para se alimentar. Essas crianças apresentam menor QI e maiores taxas de desabilidade motora ao longo da infância. A perda de habilidades e o agravamento das assimetrias (expressões de coordenação motora sensório anormal  ao longo do tempo) são comuns nesses bebês. Na UTI perdem suas habilidades motoras e desenvolvem habilidades atípicas. Então como prever que eles pioram?Os bebês com DBP intubados as 36 semanas de idade gestacional pós-menstrual (IGPM), a maioria vão estar em uma cadeira de rodas,  40% com severo atraso cognitivo.Olhando estudo de 2014 que realizamos obversamos resultados ruins nos traquestomizados. Muitos que estudam o neurodesenvolvimento das crianças falam que  os primeiros meses após o nascimento  é o “quarto trimestre”  considerada  uma janela crítica do neurodesenvolvimento e qualquer coisa que interfira  no desenvolvimento dos primeiros meses  pode realmente causar problemas durante toda a vida. As habilidades adquiridas nos primeiros 3 meses   são a base para todas as habilidades  adquiridas após (é a base  para todas as habilidades subsequentes). E muitos foram traqueostomizados nessa época (41-51 semanas)! No estudo de 2014 observamos que aqueles que fizeram traqueostomia antes de 120 dias tiveram risco de morte de 2,3 (1,5-5,5) versos aqueles que fizeram depois de 120 dias (Odd ajustada de 4,7 2,9-7,4). Para  o neurodesenvolvimento se traqueostomia <120 dias versos 120 dias de vida: 0,5 (IC a 95% de 0,3-0,9). Bebês em ventilação mecânica as 36 semanas idade gestacional pós-menstrual devem ser discutidos para possível traqueostomia. Há uma chance de 1 em 3 de ser traqueostomizados. Evidências observacionais sugerem que a traqueostomia  realizada mais precocemente pode melhor os resultados do desenvolvimento dessas crianças. Quanto à idade de DECANULAÇAO: MÉDIA DE 3-4 ANOS! O objetivo da traqueostomia é melhor o neurodesenvolvimento da criança e é melhor realizar enquanto estiver no Hospital. Não é fácil cuidar dessas crianças em casa!

Respostas pulmonares e cerebrais do pré-termo à ventilação mecânica e corticosteróides

Respostas pulmonares e cerebrais do pré-termo à ventilação mecânica e corticosteróides

Preterm lung and brain responses to mechanical ventilation and corticosteroids.Hillman NH, Jobe AH.J Perinatol. 2023 May 11. doi: 10.1038/s41372-023-01692-7. Online ahead of print.PMID: 37169913 Review. Realizado por Paulo R. Margotto.

Artigo de profunda reflexão sobre a ventilação mecânica (VM) e o impacto no cérebro. A VM, embora necessária em muitos bebês prematuros, causa alterações nas vias aéreas e no parênquima pulmonar observadas em bebês sobreviventes com DBP. A ventilação mecânica também causa danos ao cérebro por meio de flutuações no fluxo sanguíneo cerebral e neuroinflamação de citocinas liberadas sistemicamente. Evitar a ventilação mecânica ou limitar o período de ventilação provavelmente tem o maior efeito tanto na DBP quanto nos desfechos neurológicos. A extensão da lesão foi proporcional ao tempo de ventilação mecânica. AO INTUBAR: PROGRAME JÁ A SUA EXTUBAÇÃO! Quanto aos esteroides: um curso curto de dexametasona o entre 8 a 14 dias em lactentes com alto risco de DBP moderada a grave pode fornecer a maior redução na DBP sem comprometimento neurológico. Dados promissores em animais e humanos para o uso de budesonida e surfactante sugerem que esse regime pode diminuir a DBP, e grandes estudos randomizados estão quase completos.

Terapia com propranolol para quilotórax congênito

Terapia com propranolol para quilotórax congênito

Propranolol Therapy for Congenital ChylothoraxHandal-Orefice R, Midura D, Wu JK, Parravicini E, Miller RS, Shawber CJ.Pediatrics. 2023 Feb 1;151(2):e2022058555. doi: 10.1542/peds.2022-058555.PMID: 36651059.

Apresentação: Karoline Silva de Araujo. R4 Neonatologia/ HMIB/ SES/DF. Coordenação: Paulo R.  Margotto

O estudo mostra o uso off label de propranolol em fetos e recém-nascidos com quilotórax congênito  refratário e então descreve 4 casos de com diagnóstico pré-natal tratados com propranolol pré-natal (n = 2) ou pós-natal (n = 2). A presente  série de casos sugere que o tratamento com propranolol pré-natal ou pós natal foi benéfico para o quilotórax congênito refratário grave. Grandes derrames pleurais diagnosticados no pré-natal que necessitam de toracocentese transuterina podem se beneficiar de um curso de propranolol pré-natal administrado à mãe, com uma dose máxima de 40 mg 4x/dia. Os 2 casos apresentou resolução em 30 a 40 dias. A  dose para recém-nascido foi de 0,3 mg/kg/dia com aumento  para 1 a 2 mg/kg/dia. Não houve complicações maternas ou neonatais significativas decorrentes do uso de propranolol pré-natal ou pós-natal. O propranolol pode ser eficaz no tratamento de quilotórax fetal congênito grave.

 

Início precoce da antibioticoterapia e desfechos em curto prazo em prematuros: uma análise de coorte retrospectiva unicêntrica

Início precoce da antibioticoterapia e desfechos em curto prazo em prematuros: uma análise de coorte retrospectiva unicêntrica

Early initiation of antibiotic therapy and shortterm outcomes in preterm infants: a single-centre retrospective cohort analysis. Köstlin-Gille N, Serna-Higuita LM, Bubser C, Arand J, Haag L, Schwarz CE, Heideking M, Poets CF, Gille C.Arch Dis Child Fetal Neonatal Ed. 2023 May 3:fetalneonatal-2022-325113. doi: 10.1136/archdischild-2022-325113. Online ahead of print.PMID: 37137680.                         Alemanha.

Realizado por Paulo R. Margotto

Em resumo, esse estudo de  análise retrospectiva confirma estudos anteriores de que os antibióticos estão associados a um desfecho negativo em curto prazo em prematuros, em particular a um risco aumentado de DISPLASIA BRONCOPULMONAR (DBP) (no modelo de regressão logística multivariável, o início da antibioticoterapia nos dois primeiros dias pós-natais e entre o 3º e o 6º dia permaneceu independentemente associado à DBP (OR 3,1 e 2,8). Além disso, mostramos que especialmente o início muito precoce da antibioticoterapia nos primeiros 2 dias de vida pós-natal foi associado a um risco aumentado de DBP em comparação com a antibioticoterapia posterior. Nossos dados sugerem que, especialmente para antibioticoterapia empírica primária em prematuros se extremo baixo peso, é necessário revisar minuciosamente as indicações e desenvolver métodos para identificar lactentes com baixo risco de SEPSE DE INICIO PRECOCE, a fim de evitar especificamente antibióticos. Não é a colonização dos pulmões em si, mas sim a presença de certas espécies bacterianas que desencadeia a inflamação no contexto da DBP.

Semelhante à imunidade intestinal, foi demonstrado para a imunidade pulmonar que o microbioma contribui decisivamente para sua maturação e que eventos particularmente muito precoces podem levar a mudanças duradouras na resposta a estímulos inflamatórios. 47 Isso poderia explicar por que a antibioticoterapia muito precoce iniciada imediatamente após o nascimento está associada a um risco aumentado de DBP.