Categoria: Distúrbios Respiratórios

USO ENDOVENOSO DE ADENOSINA PARA A HIPERTENSÃO PULMONAR REFRATÁRIA EM UM RECÉM-NASCIDO PREMATURO DE BAIXO PESO: UMA POTENCIAL NOVA DROGA PARA TERAPIA DE RESGATE

USO ENDOVENOSO DE ADENOSINA PARA A HIPERTENSÃO PULMONAR REFRATÁRIA EM UM RECÉM-NASCIDO PREMATURO DE BAIXO PESO: UMA POTENCIAL NOVA DROGA PARA TERAPIA DE RESGATE

Motti A, Tissot C, Rimensberger PC. Prina-Rousso A, Aggoun Y, Berner M, Beghetty M, da Cruz E.
Department of Pediatrics, Geneva, Children’s University Hospital, Sweitzerland (Suíça). 
Pediatr Crit Care Med 2006;7:380-2.

Resumido por Paulo R. Margotto, Intensivista neonatal do Hospital das Forças Armadas (HFA-EMFA), Brasília

Hemorragia Pulmonar-2018

Hemorragia Pulmonar-2018

Autor: Paulo R. Margotto. Capítulo do Livro Assistência ao Recém-Nascido de Risco, Hospital de Ensino Materno Infantil de Brasília, 4a Edição, 2018, em preparação.

A hemorragia pulmonar é definida pela presença de secreção tinta de sangue na sucção do tubo endotraqueal, acompanhado por um aumento no índice de oxigenação maior que 100% do valor imediatamente antes da ocorrência da hemorragia pulmonar.Ocorre com 2-4 dias de vida, principalmente em recém-nascidos ventilados com severo quadro de doença da membrana hialina que recebeu surfactante pulmonar. Maciça hemorragia pulmonar no recém-nascido (RN) freqüentemente está associada à doença da membrana hialina, podendo ser, freqüentemente indistinguível desta do ponto de vista radiológico. Estudo recente a partir de 596 411 crianças (de 340 Unidades de Terapia Intensiva Neonatal da Rede Pediatrix dos Estados Unidos de 2005 a 2014 sem anomalias congênitas), os autores identificaram  2799 com diagnóstico de hemorragia pulmonar. A incidência máxima foi de 86,9 casos por 1000 admissões para neonatos nascidos às 24 semanas de gestação. Os sobreviventes tiveram exposição mais freqüente aos esteróides pré-natais, mais provável de nascer por parto por cesariana e teve idade gestacional significativamente maior e peso ao nascer e  também tiveram exposição significativamente menor aos pressores.

 

 

DIAGNÓSTICO DA ACIDOSE METABÓLICA NEONATAL PELA DETERMINAÇÃO DO pH EUCAPNICO

DIAGNÓSTICO DA ACIDOSE METABÓLICA NEONATAL PELA DETERMINAÇÃO DO pH EUCAPNICO

C. Racinet, G. Richalet, C. Corne, P. Faure, J.-F. Peresse, X. Leverve.

Tradução realizada pela Dra. Lívia Faria, Intensivista Pediátrica do Hospital de Base de Brasília.
Coordenação: Paulo R. Margotto e Marta David Rocha de Moura.

 

O pH eucapnico é por consenso considerado como reflexo do componente não respiratório do pH atual, o qual é o componente metabólico isolado potencialmente nocivo ao cérebro neonatal

OBJETIVO: determinar a existência de uma real acidose metabólica neonatal potencialmente associada a uma asfixia aguda periparto

COMO CORRIGIR O pH: adicionar 0,08 unidades ao pH por excedente de 10mmHg da PaCO2 comparativamente ao valor normal no recém-nascido de 50mmHg.

Displasia broncopulmonar-2018

Displasia broncopulmonar-2018

Autor: Paulo R. Margotto

Capítulo do Livro Assistência ao Recém-Nascido de Risco, Hospital de Ensino Materno Infantil de Brasília, SES/DF, Brasília,  4a Edição, em preparação

Poets CF e Lorenz L recentemente (2018)  revisaram   os dados sobre a prevenção da displasia broncopulmonar (DBP) com foco em metanálises recentes. As intervenções com eficácia comprovada na redução da DBP incluem o uso primário do suporte respiratório não-invasivo, a aplicação de surfactante sem ventilação endotraqueal e o uso de ventilação direcionada ao volume em lactentes que necessitem de intubação endotraqueal. Após a extubação, a ventilação nasal sincronizada é mais eficaz do que a pressão positiva contínua nas vias aéreas na redução da DBP. Farmacologicamente, o início do citrato de cafeína no dia 1 ou 2 pós-natal parece mais eficaz do que um início posterior. A aplicação de vitamina A intramuscular durante as primeiras 4 semanas reduz a DBP, mas é caro e doloroso e, portanto, não é amplamente utilizado. A hidrocortisona com baixa dose nos primeiros 10 dias previne a DBP, mas foi associada com quase o dobro de casos de sepse de início tardio em bebês nascidos com 24 a 25 semanas de gestação. A administração de dexametasona a lactentes que ainda exigem ventilação mecânica em torno da 2a-3a  semanas pós-parto pode representar a melhor opção entre restringir esteróides a bebês em risco de DBP enquanto ainda proporciona alta eficácia. Outras intervenções ainda apenas apoiadas por estudos de coorte incluem alimentação exclusiva do leite materno e uma melhor prevenção de infecções nosocomiais.

Segundo Eduardo Bancalari, será que vamos conseguir prevenir ou nunca a DBP? Se pegarmos um RN com 23-24-25  semanas, acredito  que nunca vamos conseguir fazer com que estes  pulmões respirando gás tenham um desenvolvimento totalmente normal. Entretanto,  com base novas pesquisas, no futuro vamos  conseguir   ter  certa melhoria no desenvolvimento destes pulmões.

Quanto à hipertensão pulmonar asssociada a Displasia broncopulmonar:

A incidência da displasia broncopulmonar associada à hipertensão pulmonar (DBP-HP) varia entre de 8% a 42% (a HP  no 7º dia de vida e a tardia, com 36 semanas pós-menstrual). A exata etiologia é pouco conhecida. Recentes evidências tanto em humanos como em animais, mostram que a restrição do crescimento intrauterino aumenta o risco desta condição. Lesão precoce ao desenvolvimento pulmonar piora a alveolarização e a angiogênese e evidências indicam que o prematuro extremo produz um atraso no desenvolvimento dos vasos pulmonares. A exposição a altas concentrações de oxigênio leva a remodelação e parada do desenvolvimento de pequenos vasos pulmonares, produzindo disfunção vascular e hipertensão pulmonar. Com o tempo, esta hipertensão pulmonar leva a hipoxemia que induz mais remodelamento vascular e eventualmente leva a hipertrofia do ventrículo direito. Nos casos mais severos, a hipertrofia ventricular direita progride para insuficiência ventricular direita, cor pulmonale e morte.

Mirza H et al relataram que a hipertensão pulmonar precoce (entre 10-14 dias de vida) foi associada com moderada/severa  displasia broncopulmonar (BPD) ou morte na 36° semana pós-menstrual.

Entre os fatores de risco se destacam o sexo masculino, menores idades gestacionais  e peso ao nascer, além de pequeno para a idade gestacional, FiO2>30% aos 10 dias de vida. A ausência de HP aos 7 dias de vida associou-se a um risco muito baixo de HP tardia associada à DBP. Essa é a razão pela qual se especula a realização de ecocadiogramas precoces em prematuros de alto risco para DBP e HP tardia para futuros estudos preventivos e terapêuticos. Maiores valores do CRIB (Índice de Risco Clínico para Bebês) associaram-se significativamente com a maior ocorrência de  DBP-HP e níveis de saturação entre 90-95% versos 88-92%, com menor incidência de DBP-HP na 36ª semana de idade  gestacional pós-menstrual.

Surfactante Pulmonar Exógeno – 2021

Surfactante Pulmonar Exógeno – 2021

Autor: Paulo R. Margotto

Capitulo do Livro Assistência ao Recém-Nascido de Risco, Hospital de Ensino Materno Infantil de Brasília, SES/DF, 4a Edição, em preparação!

Para os RN ≥26 SEMANAS COM BOM DRIVE RESPIRATÓRIO PROCEDER AO MINI  INSURE

                                 Evitando a intubação precoce na Sala de Parto/Menor duração da ventilação mecânica

A displasia broncopulmonar (DBP) é multifatorial (ventilação mecânica [VM] precoce, gravidade do desconforto respiratório ao nascer, restrição do crescimento intrauterino, corioamnionite, persistência do canal arterial, altas ofertas de oxigênio, baixos níveis de PaCO2), razão pela qual se torna difícil a sua prevenção. Entre os fatores envolvidos se destaca a forma pela qual os recém-nascidos são atendidos na Sala de Parto. A prática de menor taxa de intubação e menor duração da VM tem demonstrado menor incidência de DBP (a chance de DBP foi de 2,4 e 14,9 vezes com o uso da ventilação mecânica > 24 horas e acima de 7 dias, respectivamente). Assim, use o menor tempo possível a VM. Evite a VM ao nascer. Use formas alternativas à VM (CPAP nasal; Ventilação não invasiva [VNI]). Certo que nem sempre é possível, mas deve ser tentado.

MINI INSURE/ Razões para a eficácia

Os estudos têm evidenciado ser factível e sem efeitos colaterais a aplicação do surfactante exógeno por meio de um tubo fino pela traquéia em bebês em respiração espontânea. Seria considerado um Mini INSURE (Intubação, Surfactante e Extubação), porém, neste caso do INSURE, o E (de extubação) fica sempre faltando.

Este método combina os efeitos positivos do uso de CPAP nasal e do surfactante. A idéia é que é mais adequado inspirar fisiologicamente o surfactante do que recebê-lo por insuflações com pressão positiva, como acontece quando realizado o procedimento INSURE.

Com este procedimento o RN pode manter o padrão respiratório e talvez continue se beneficiando do CPAP nasal. Com a inspiração espontânea poderá haver um turnover mais rápido do surfactante, em comparação com os RN intubados. Em contraste, a intubação faz a expiração ser quase impossível. Insuflações manuais para expandir os pulmões e facilitar a dispersão do surfactante podem talvez exercer efeito oposto e resultar em distribuição desigual do surfactante, ao contrário do que ocorre durante a respiração espontânea.

Utilizando a técnica de tomografia de impedância elétrica que se correlaciona bem com as mudanças reais na aeração pulmonar, Van der Burg PS et al (Alemanha, 2016) demonstrou:

-distribuição homogênea do volume final da expiração pulmonar 60 minutos após.

-rápida e significativa queda da FiO2

-melhora significativa na razão SatO2/FiO2 cinco minutos após

O efeito mais homogêneo no volume final da expiração pulmonar, em relação ao método INSURE (tubo endotraqueal) possivelmente pode ser explicado pela:

  • presença de pressão negativa na respiração espontânea e
  • a taxa de infusão lenta do surfactante

Resultados promissores com o MINI INSURE

Os estudos têm demonstrado menores taxas de intubação, melhor neurodesenvolvimento, menor falha do CPAP nasal, menor duração da ventilação mecânica, incluindo CPAP nasal, menores taxas de DBP moderada a grave, inclusive em RN <28 semanas, menos lesão cerebral, maior sobrevivência, menos retinopatia da prematuridade.

Segundo Sankar ML, 2016, há necessidade de explorar métodos alternativos de administração simples de surfactante que não envolvam a intubação Estes métodos minimamente invasivos serão muito úteis em países de baixa e média renda, onde profissionais de saúde adequadamente treinados em todos os nascimentos são um dos principais desafios para a administração bem sucedida da terapia de reposição do surfactante.

 

Hipertensão Arterial no Recém-Nascido

Hipertensão Arterial no Recém-Nascido

                Capítulo de autoria das  Dras. Maya Caetano P. Almeida/ Cláudia Janaína S. Cruz

  da 4a Edição do livro Assistência ao Recém-Nascido de Risco (em preparação)

A partir da melhora dos cuidados da atenção ao recém-nascido, do desenvolvimento de métodos diagnósticos e da definição de critérios, tem-se diagnosticado cada vez maishipertensão arterial sistêmica (HAS) em recém-nascidos. No entanto, a HAS neonatal ainda tem sido subdiagnosticada tanto em países desenvolvidos quanto nos paísesem desenvolvimento conforme demonstrado por vários estudos.

Mesmo entre pacientes com fatores de risco para hipertensão, como os recém-nascidos com anormalidade cardiovascular ou renal, aqueles que realizaram cateterismo umbilical ou portadores de displasia broncopulmonar, a pressão arterial não é aferida rotineiramente em muitas unidades de atendimento neonatal.A incidência de HAS neonatal é desconhecida. Acredita-se que somente 1 a 2% dos neonatos são avaliados em relação a pressão arterial.Além disso, relata-se que, na maioria das vezes, afere-se a pressão arterial nesses pacientespara diagnosticar hipotensão ao invés de detectar hipertensão.

Os seguintes fatoressão identificados como limitadores tanto da aferição da pressão arterial quanto da interpretação dos valores encontrados nessa população de pacientes: a seleção da braçadeira de tamanho apropriado, a dificuldade de interpretação dos valores encontrados em função de fatores que podem interferir nesses resultados como o paciente estar choroso ou agitado, a variação dos valores de acordo com peso e idade gestacional e a limitação da ausculta dos sons de Korotkoff em função da baixa frequência e amplitude do pulso nesses pacientes.

Considera-se hipertenso o paciente que apresente pressão arterial persistentemente acima do P95, de modo que podem ser necessárias várias aferições para confirmação.

Idade pós-concepção   P50 P95 P99
 

26 semanas

PAS 55 72 77
PAD 30 50 56
PAM 38 57 63
 
28 semanas PAS 60 75 80
PAD 38 50 54
PAM 45 58 63
 
 

30 semanas

PAS 65 80 85
PAD 40 55 60
PAM 48 63 68
 
 

32 semanas

PAS 68 83 88
PAD 40 55 60
PAM 49 64 69
 
 

34 semanas

PAS 70 85 90
PAD 40 55 60
PAM 50 65 70
 
36 semanas PAS 72 87 92
PAD 50 65 70
PAM 57 72 77
 
 

38 semanas

PAS 77 92 97
PAD 50 65 70
PAM 59 74 79
 
 

40 semanas

PAS 80 95 100
PAD 50 65 70
PAM 60 75 80
 
 

42 semanas

PAS 85 98 102
PAD 50 65 70
PAM 62 76 81
 
 

44 semanas

PAS 88 105 110
PAD 50 68 73
PAM 63 80 85

PAS: pressão arterial sistólica; PAD: pressão arterial diastólica; PAM: pressão arterial média.

Hipertensão pulmonar em prematuros com displasia broncopulmonar

Hipertensão pulmonar em prematuros com displasia broncopulmonar

De Baker CD et al, EUA, 2014), Apresentado pela Dra. Thaís Mendonça, R2 em Pediatria do HMIB/SES/DF, sob Coordenação da Dra. Evelyn Mirela. A hipertensão pulmonar (HP) está associada há uma significativa morbimortalidade em DBP (incidência geral de 18-25%), com mortalidade de 33-48% em 2 anos após o diagnóstico!A vasculatura pulmonar dismórfica e a angiogênese comprometida na DBP     resultam em risco de pressões pulmonares elevadas ou hipertensão pulmonar associada a DBP. Interessante é que a ventilação mecânica e a oxigenioterapia aumentam a expressão de genes antiangiogênicos (trombospodina-1 e endoglina) e reduzem a expressão de  gene pró-angiogênicos (VEGF-B, VEGF receptor-2).

Displasia broncopulmonar: doença pulmonar crônica da infância e resultados a longo prazo

Displasia broncopulmonar: doença pulmonar crônica da infância e resultados a longo prazo

De Davidson LM et al, EUA, 2017, Apresentado pela Dra. Lara R. Pereira, R3 em Neonatologia no HMIB/SES/DF, sob Coordenação da Dra. Evelyn Mirela. A prevalência de displasia broncopulmonar (DBP) em crianças em ventilação mecânica está inversamente relacionada à idade gestacional e ao peso ao nascer, apoiando o fato de que o desenvolvimento incompleto dos pulmões ou lesões durante uma janela crítica do desenvolvimento pulmonar influenciam o desenvolvimento de DBP. Além da prematuridade, vários outros fatores podem contribuir para a ruptura do crescimento alveolar e para o desenvolvimento vascular pulmonar, incluindo, entre outros, ventilação mecânica, toxicidade de oxigênio, infecção pré/ pós-natal, inflamação e restrição de crescimento ou déficits nutricionais. A predisposição genética é reconhecida por modificar ainda mais o risco de doença.É importante que saibamos que a DBP ocorre quase que exclusivamente em recém-nascidos prematuros que receberam ventilação de pressão positiva sugerindo que a hiperinsuflação pulmonar e o alongamento alveolar desempenham um papel crítico na patogênese da DBP. O achado comum de diminuição do risco de BPD fortalece recomendações para o uso de estratégias não-invasivas. Como resultado, muitas unidades agora estão optando por realizar um teste inicial com CPAP para gerenciar a SDR.Cuidados interdisciplinares para atender às complexas necessidades pulmonares, nutricionais e de desenvolvimento destes pacientes são críticos e podem influenciar os resultados da DBP grave