Categoria: Neurossonografia Neonatal

ULTRASSONOGRAFIA CEREBRAL DOPPLER -2020

ULTRASSONOGRAFIA CEREBRAL DOPPLER -2020

Paulo R. Margotto

Capítulo do livro  de Neurossonografia Neonatal, 2a  Edição, 2020, no Prelo

  • A imagem do ultrassom em tempo real combinado com sistema de Doppler pulsado constitui um exame não invasivo e de beira de leito, de relativo baixo custo, seguro, de rápida execução, permitindo a quantificação de velocidade de fluxo sanguíneo cerebral (VFSC) em recém-nascido (RN), com extrapolação das medidas de volume. A velocimetria Doppler não representa mensuração do volume absoluto de fluxo sanguíneo para a área perfundida pela artéria em estudo, mas é útil para quantificar variações relativas do fluxo sanguíneo cerebral (FSC) em determinado período de tempo

 

Neurossonografia Neonatal – compartilhando imagens: Importância do Índice de Resistência (IR) na Síndrome Hipóxico-Isquêmica

Neurossonografia Neonatal – compartilhando imagens: Importância do Índice de Resistência (IR) na Síndrome Hipóxico-Isquêmica

Paulo R. Margotto.

Recém-Nascido (RN) do dia 27/1/2020, 40 sem6 dias, Apgar de 1,4 e 7, peso ao nascer de 2810g, Pequeno para a idade gestacional, circular de cordão, parto normal, trabalho de parto prolongado. Desenvolveu crise convulsiva no primeiro dia de vida. Submetido à hipotermia terapêutica.

O primeiro ultrassom (US)  transfontanelar  foi realizado  no primeiro dia de vida  em hipotermia terapêutica, sendo evidenciado Índice de Resistência (IR) de 0,54 (baixo).

O segundo US transfontanelar realizado aos 7 dias de vida mostrou IR de 0,47 (muito baixo), quando solicitamos a realização de ressonância magnética(RM).

Eletroencefalograma aos 7 dias de vida: atividade elétrica cerebral acentuadamente desorganizada de muita baixa voltagem

Ressonância magnética aos 15 dias de vidainjúria hipóxico-isquêmica grave em neonato a termo

Eletroencefalograma aos 25 dias de vida: assimetria da atividade elétrica com menor amplitude dos ritmos localizados no hemisfério cerebral esquerdo que pode estar relacionado à lesão estrutural

Com 22 dias de vida:  dilatação biventricular + hiperecogenicidade  nos núcleos da base e cistos porencefálicos em formação  na substância branca

US transfontanelar aos 29 dias de vida: dilatação biventricular +leucomalácia periventricular multicística + hiperecogenicidade nos núcleos da base

Neurossonografia Neonatal-compartilhando imagens: Hiperecogenicidade periventricular – Leucomalácia periventricular multicística

Neurossonografia Neonatal-compartilhando imagens: Hiperecogenicidade periventricular – Leucomalácia periventricular multicística

Paulo R. Margotto.

Caso Clinico: RN pré-termo (28 sem), peso ao nascer de 1430g,  1 dose de betametasona, cesariana por Apresentação Pélvica, necessitou de reanimação com intubação endotraqueal; recebeu um dose de surfactante com FiO2 de 60%  e Saturação de O2 de 75%. Ultrassons  cranianos  realizados com 9 dias de vida (intensa hiperecogenicidade periventricular-setas), aos 16 dias e 31 dias de vida (dilatação biventricular e leucomalácia periventricular multicística-setas).

Neurossonografia Neonatal-compartilhando imagens:Hemorragia intraventricular e Acidente vascular cerebral isquêmico no recém-nascido pré-termo com trombo em veia cava superior

Neurossonografia Neonatal-compartilhando imagens:Hemorragia intraventricular e Acidente vascular cerebral isquêmico no recém-nascido pré-termo com trombo em veia cava superior

Paulo R. Margotto.

RN de 29 semanas, 945 g, pré-eclâmpsia grave, Apgar de 8/9, trombo em veia cava superior esquerda. Aos 15 dias, hemorragia intraventricular grau II e  lesão hiperecogênica em organização na região parieto-occipital medindo 1,31/1,62 cm (sugestiva de Acidente vascular cerebral isquêmico-AVC), Índice de resistência de 1,18 (fluxo diastólico reverso)

Neurossonografia Neonatal-compartilhando imagens: hemorragia intraventricular + lesão nos núcleos da base

Neurossonografia Neonatal-compartilhando imagens: hemorragia intraventricular + lesão nos núcleos da base

Recém-nascido (RN) de 33 semanas e 2 dias, 2075 gramas, 6 consultas no pré-natal (1º Trimestre), mãe com febre e leucocitose, bolsa rota (suspeito de corioamnionite); recebeu 2 doses de betametasona; parto normal; banhado em mecônio espesso, reanimado com máscara e Baby Pupp e encaminhado à UTI Neonatal; Apgar de 6/7; na admissão o bebê apresentou Saturação de O2 de 18% e frequência cardíaca de 80 bpm, PaCO2 de 162 mmHg, pH de 6,7, BE de -10,  sendo intubado e ventilado em alta frequência. O Rx de tórax mostrou hérnia diafragmática congênita  (HDC) à esquerda (figura) O  RN teve a correção da HDC aos 6 dias de vida. Persiste em ventilação de alta frequência.

Neurossonografia Neonatal-compartilhando imagens: Infarto hemorrágico periventricular atípico

Neurossonografia Neonatal-compartilhando imagens: Infarto hemorrágico periventricular atípico

Paulo R, Margotto,

RN gêmeos, monocoriônicos, diamnióticos, 27semanas 3dias, Apgar de 7,9, transfusão feto-fetal.

Ultrassom anterior nas primeiras horas de vida mostrou achados  que nos levou ao diagnóstico de um infarto hemorrágico periventricular atípico.

-IHPV TÍPICO é aquele que ocorre entre o 3º- 4º dia de vida após o nascimento no contexto de fatores de risco conhecidos e a expressiva maioria dos caso, associado com hemorragia peri/intraventricular

-IHPV ATÍPICO é aquele que ocorre pré-natal ou tardiamente (>96 horas) sem doença clínica grave e também frequentemente sem uma grande hemorragia peri/intraventricular

NEUROSSONOGRAFIA NEONATAL-compartilhando imagens: lesão na ganglia basal

NEUROSSONOGRAFIA NEONATAL-compartilhando imagens: lesão na ganglia basal

Paulo R. Margotto

RN de 34 sem 2 dias,  data de nascimento: 13/11/2019; Parto normal;Apgar 89; tempo de bolsa rota de 51 horas;peso ao nascer de 2050g; Piora clínica com 2 dias de vida (pneumoperitôneo); Trombocitopenia; 7 paradas cardiorrespiratórias; Perfuração intestinal!

NEUROSSONOGRAFIA NEONATAL-compartilhando imagens: Holoprosencefalia alobar

NEUROSSONOGRAFIA NEONATAL-compartilhando imagens: Holoprosencefalia alobar

Paulo R. Margotto.

A holoprocencefalia (ocorre em 1/11000 a 1/20.000 nascidos vivos) se deve a uma falha parcial ou completa do procencéfalo primitivo em formar o telencéfalo (hemisférios cerebrais, ventrículos, putamen e núcleo caudado) e o diencéfalo (tálamo, hipotálamo, 3o ventrículo e globus pallidus) entre a 4a e a 8a semanas de gestação.

Nos casos mais extremos podemos ter deformidades como ciclopia e nos casos mais brandos, hipotelorismo (a face fetal se desenvolve no mesmo período do cérebro).

Muitas destas crianças também apresentam anomalias na linha média (fenda palatina, narina única).

A principal causa da holoprocencefalia é o distúrbio cromossômico, ocorrendo entre 40 a 50% dos casos. A trissomia do 13 isoladamente ocorre em 75% dos cariótipos anormais. Vários casos familiares sugerem uma etiologia mendeliana com transmissão autossômica dominante (risco de recorrência de 6%).

NEUROSSONOGRAFIA NEONATAL-compartilhando imagens: Malformação Dandy-Walker

NEUROSSONOGRAFIA NEONATAL-compartilhando imagens: Malformação Dandy-Walker

Paulo R. Margotto

         O complexo Dandy-Walker inclui a malformação clássica Dandy-Walker, a variante Dandy-Walker e mega cisterna magna, cada uma associada com defeito no desenvolvimento do teto do 4º ventrículo e está frequentemente associada com outras anomalias intracranianas (agenesia do corpo caloso[Figura 3], oloprosencefalia, esquisencefalia e cefaloceles posteriores.

Esta anormalidade consiste na dilatação cística do quarto ventrículo, conseqüente a atresia dos foramens de Magendie e de Luschka e pode ocorrer algum grau de disgenesia verminiana. Ocorre também aumento do 3º ventrículo e dos ventrículos laterais, além do aumento do 4º ventrículo.

Outras malformações podem ser encontradas (50 a 70% dos casos), como a agenesia do corpo caloso (Figura 4), cistos porencefálicos, encefaloceles e holoprocencefalia, rins policísticos, defeitos cardiovasculares, lábio leporino.

A ultrassonografia cerebral revela nitidamente grande fossa posterior, pequeno resquício cerebelar e um exuberante 4º ventrículo (Figuras 1 e 3). A estimativa de incidência é de 1/30.000 nascidos, sendo responsável por 4-12% dos hidrocéfalos infantis.

Os fatores genéticos desempenham importante papel (as anomalias cromossômicas são descritas em  20 a 50% dos casos e incluem as trissomias do 13, 18 e 21). A recorrência é de 1-5%.A hidrocefalia obstrutiva difusa ocorre em até 80% dos casos. Outras malformações associadas incluem hérnia diafragmática, gastrintestinais, cardíacas, genitourinárias e musculares e esqueléticas