Autor: Paulo Margotto

Este site tem por objetivo a divulgação do que há mais de novo na Medicina Neonatal através de Artigos (Resumidos, Apresentados, Discutidos e Originais), Monografias das Residências Médicas, principalmente do Hospital Materno Infantil de Brasília (HMIB/SES/DF), Apresentações de Congresso e Simpósios (aulas liberadas para divulgação, aulas reproduzidas). Também estamos disponibilizando dois livros da nossa autoria (Assistência ao Recém-Nascido de Risco, 3a Edição, 2013 e Neurossonografia Neonatal, 2013) em forma de links que podem ser baixados para os diferentes Smartphone de forma inteiramente gratuita. A nossa página está disponível para você também que tenha interesse em compartilhar com todos nós os seus conhecimentos. Basta nos enviar que após análise, disponibilizaremos. O nome NEONATOLOGIA EM AÇÃO nasceu de uma idéia que talvez venha se concretizar num futuro não distante de lançarmos um pequeno livro (ou mesmo um aplicativo chamado Neonatologia em Ação) para rápida consulta à beira do leito. No momento estamos arduamente trabalhando com uma excelente Equipe na elaboração da 4a Edição do livro Assistência ao Recém-Nascido de Risco, que conterá em torno de mais 100 capítulos, abordando diferentes temas do dia a dia da Neonatologia Intensiva, com lançamento a partir do segundo semestre de 2018. O site também contempla fotos dos nossos momentos na Unidade (Staffs, Residentes, Internos). Todo esforço está sendo realizado para que transportemos para esta nova página os 6000 artigos do domínio www.paulomargotto.com.br, aqui publicados ao longo de 13 anos.Todas as publicações da página são na língua portuguesa. Quando completamos 30 anos do nosso Boletim Informativo Pediátrico com Enfoque Perinatal (1981- 2011), o berço do livro Assistência ao Recém-Nascido de Risco, escrevemos e que resumo todo este empenho no engrandecimento da Neonatologia brasileira: nestes 30 anos, com certeza, foram várias as razões que nos impulsionam seguir adiante, na conquista do ideal de ser sempre útil, uma doação constante, na esperança do desabrochar de uma vida sadia, que começa em nossas mãos. Este mágico momento não pode admitir erro, sob o risco de uma cicatriz perene. É certamente emocionante fazer parte desta peça há tantos anos! "Não importa o quanto fazemos, mas quanto amor colocamos naquilo que fazemos"
Monografia-HMIB/2018 (Pediatria):Rotina para diagnóstico e tratamento de meningite e meningoencefalite na Emergência Pediátrica do Hospital Materno Infantil de Brasília

Monografia-HMIB/2018 (Pediatria):Rotina para diagnóstico e tratamento de meningite e meningoencefalite na Emergência Pediátrica do Hospital Materno Infantil de Brasília

Amanda Dias Cardoso Viana.

A meningite e as meningoencefalites são infecções agudas do sistema nervoso central que requerem diagnóstico e tratamento imediato, por seu potencial de gravidade.Por isso torna-se imprescindível elaborar uma rotina de atendimento na emergência pediátrica do Hospital Materno Infantil de Brasília (uma das referências do Distrito federal. Os agentes etiológicos variam de acordo com a faixa etária. Geralmente crianças menores de um ano apresentam manifestações clínicas inespecíficas e os maiores sintomas clássicos:alteração neurológica, convulsões, vômitos, sinais de irritação meníngea.

O principal método diagnóstico é através da punção lombar, para a análise do líquido cefaloraquidiano (CSF), que deve ser avaliado quanto a bioquímica, bacterioscopia e celularidade colhido cultura (padrão ouro). Nos casos de suspeita de agentes virais pode-se solicitar PCR(reação em cadeia de polimerase) do líquor para auxílio diagnóstico.

Após a suspeita clínica de meningite, deve-se iniciar antibioticoterapia precoce (na primeira hora). O fármaco escolhido de acordo com a faixa etária pediátrica e deve ultrapassar a barreira hematoencefálica, sendo de primeira escolha as cefalosporinas de terceira geração. A corticoterapia com dexametasona está indicada em meningites causadas pelos agentes etiológicos pneumococo e haemophilus. A quimioprofilaxia é indicada para contactantes íntimos do portador da doença e deve ser realizada com rifampicina como 1a escolha.

Discussão Clínica:Antibióticos na primeira semana de vida e asma atópica aos 12 anos; Manejo Respiratório de Bebês Extremamente Prematuros: Uma Pesquisa Internacional; Dexmedetomidina como sedativo contínuo único durante a ventilação não-invasiva: uso Típico, efeitos Hemodinâmicos e retirada; Apneia Neonatal e Refluxo Gastroesofágico-Existe algum problema?

Discussão Clínica:Antibióticos na primeira semana de vida e asma atópica aos 12 anos; Manejo Respiratório de Bebês Extremamente Prematuros: Uma Pesquisa Internacional; Dexmedetomidina como sedativo contínuo único durante a ventilação não-invasiva: uso Típico, efeitos Hemodinâmicos e retirada; Apneia Neonatal e Refluxo Gastroesofágico-Existe algum problema?

Paulo R. Margotto e Equipe Neonatal do Hospital Materno Infantil de Brasília/SES/DF

Monografia-HMIB/2018 (Infectologia Pediátrica):Tratamento de Leishmaniose Visceral em lactentes Experiência de Hospital secundário do Distrito Federal

Monografia-HMIB/2018 (Infectologia Pediátrica):Tratamento de Leishmaniose Visceral em lactentes Experiência de Hospital secundário do Distrito Federal

Bruno Feitosa Santos.

A Leishmaniose, doença parasitária que no Brasil é causada por Leishmania chagasi, tem importante impacto em termos de morbidade e mortalidade. A forma visceral pode levar o paciente a óbito, se não for corretamente diagnosticada e medicada, podendo apresentar recidiva até um ano após tratada. O Ministério da Saúde do Brasil recomenda o uso de Anfotericina B lipossomal como primeira escolha para o tratamento em crianças menores de um ano pelo mau prognóstico para esta idade. Objetivo: Descrever a experiência do Hospital Materno Infantil de Brasília (HMIB) no tratamento de lactentes. Material e método: Série de 41 casos internados de outubro de 2009 a dezembro de 2017, incluídos todos os pacientes com até 2 anos de vida e excluídos os pacientes com imunodeficiências congênitas ou adquiridas. Dezenove casos concluíram tratamento com Antimoniato de Meglumina e 22, com Anfotericina B lipossomal. Conclusões: Na amostra, o Z-Escore de peso para idade não teve impacto prognóstico. Falha ao tratamento, recidiva ou óbito só ocorreram no grupo tratado com Anfotericina. Não houve efeitos adversos com uso do antimonial pentavalente, mesmo em doses mais elevadas ou duração mais prolongada de tratamento.

Monografia/HMIB-2018 (Endoscopia Ginecológica):Correlação entre clínica e histopatologia de pólipos endometriais em mulheres pós menopausa

Monografia/HMIB-2018 (Endoscopia Ginecológica):Correlação entre clínica e histopatologia de pólipos endometriais em mulheres pós menopausa

Sarah Liz Lages Machado.

INTRODUÇÃO:  O câncer de endométrio é a sexta neoplasia mais prevalente entre as mulheres no mundo. A estimativa, para o biênio 2017/2018, é de 6.600 casos novos dessa condição, com um risco estimado de 5,54 casos a cada 100 mil mulheres. Por ser um câncer com significativa prevalência no Brasil, este estudo pretende correlacionar a clínica com a histopatologia dos pólipos endometriais.

OBJETIVOS: Estimar a frequência de lesões malignas diagnosticadas por histeroscopias em pacientes menopausadas, relacionar a clínica com a histopatologia dos pólipos endometriais e determinar os fatores de risco para o câncer de endométrio e caracterizar o perfil das pacientes com pólipos endometriais malignos na pós-menopausa.

MÉTODOS: Estudo do tipo transversal, retrospectivo e descritivo, no serviço de Reprodução Humana (RH) do HMIB, onde são referenciadas pacientes com endométrio espessado à ultrassonografia e sangramento vaginal pós-menopausa. Revisou-se prontuários de 186 pacientes menopausadas que foram submetidas a histeroscopias no serviço, no período de janeiro de 2015 a julho de 2017. As variáveis analisadas foram: idade, paridade, tipo de parto, tabagismo, uso de Terapia Hormonal, Índice de Massa Corpórea, espessura endometrial, sangramento vaginal, achados histeroscópicos, resultado histopatológico.

RESULTADOS: A média e a mediana das pacientes analisadas no trabalho foram de 63,3 anos (44 – 89) e 62 anos, respectivamente. A média de idade de mulheres que apresentaram probabilidade de desenvolver câncer de endométrio (lesões pré-malignas e malignas) foi de 64 anos. Pacientes nuligestas possuíam maior risco de desenvolver lesões pré-malignas e malignas. Quanto menor o número de partos normais, maior probabilidade de desenvolver câncer de endométrio. A maioria das mulheres avaliadas possuíam IMC superior a 30. A média da espessura endometrial foi de 11 mm em ambos os grupos (11,93 mm para lesões benignas e 11,83 mm para lesões malignas). Não foi encontrada associação significativa com a presença de lesões pré-malignas e malignas. Todas as pacientes com diagnóstico de câncer de endométrio no histopatológico apresentaram sangramento uterino anormal pós-menopausa. Mulheres tabagistas apresentaram maior percentual no grupo de lesões pré-malignas e malignas (28,57%). Paciente com  laudo descritivo do exame histeroscópico de características malignas não possuiu maior probabilidade de apresentar câncer de endométrio no laudo histopatológico (2,41%). Metade das pacientes não foram biopsiadas (50,54%).  Este acontecimento se deve ao fato de que durante a realização da histeroscopia não foram detectadas patologias suspeitas que justifiquem a realização de biópsia ou não foi possível realizar o procedimento (atrofia endometrial ou estenose de colo uterino).  No entanto, dentre as pacientes biopsiadas, observou-se lesões malignas em 6 delas (3,22%).

CONCLUSÃO: Concluir que a presença de lesões pré-malignas e malignas em pólipos endometriais varia de acordo com o subgrupo analisado, sendo mais frequente nas pacientes com idade ≥ 60 anos, com sangramento uterino anormal pós-menopausa, nuligestas, obesas e tabagistas. Com isso, uma abordagem efetiva e individualizada, capaz de diagnosticar o mais precocemente possível e assim encaminhar a paciente ao tratamento adequado é, portanto, o mais recomendável, considerando a associação da malignidade da lesão endometrial com fatores clínicos.

Monografia-HMIB-2018(Alergia e Imunologia):Anafilaxia: conhecimento médico sobre o diagnóstico e manejo clínico. Estudo com pediatras e residentes em pediatria de dois hospitais de Brasília – DF

Monografia-HMIB-2018(Alergia e Imunologia):Anafilaxia: conhecimento médico sobre o diagnóstico e manejo clínico. Estudo com pediatras e residentes em pediatria de dois hospitais de Brasília – DF

Haline Freitas Berbet.

 

Introdução: A anafilaxia é definida como uma reação sistêmica grave, de início rápido e que pode levar ao óbito, onde há comprometimento de um ou mais sistemas, associado ou não a envolvimento cutâneo. Sua verdadeira incidência ainda é desconhecida. O diagnóstico é eminentemente clínico, e segue os critérios da World Allergy Organization (WAO).O tratamento possui três pilares principais: administração rápida de adrenalina, decúbito dorsal com membros inferiores elevados e manutenção adequada da volemia. A droga de primeira escolha é a adrenalina intramuscular.

Objetivos: Avaliar o nível de conhecimento médico de pediatras e residentes de pediatria dos principais serviços de emergência pediátrica do Distrito Federal (HMIB e HRT), bem como determinar as diferenças de respostas e erros em cada categoria.

Resultados: Foram avaliados 27 médicos assistentes e 36 residentes em pediatria. Praticamente todos os entrevistados desconhecem a anafilaxia induzida pelo exercício, cerca de 1/3 dos médicos erraram na forma de administração de adrenalina, uma parcela significativa dos médicos prescreveram adrenalina para tratamento de urticária, sem critérios para anafilaxia e apenas 6,4% dos entrevistados tinham conhecimento do glucagon como medicação de primeira escolha nos casos de pacientes em uso de betabloqueador. Poucos pediatras (30%) responderam que forneceriam receita de adrenalina autoinjetável.

Conclusão: Apesar dos esforços, ainda percebe-se que, em geral, os pediatras desconhecem o diagnóstico e manejo clínico correto da anafilaxia, fazendo-se necessário uma atualização das equipes.

Monografia-HMIB-Pediatria/2018:Proposta de Rotina para atendimento inicial de crianças e adolescentes vítimas de violência sexual

Monografia-HMIB-Pediatria/2018:Proposta de Rotina para atendimento inicial de crianças e adolescentes vítimas de violência sexual

Thaís Mendonça Barbosa.

A violência sexual contra crianças e adolescentes é um problema complexo de escala global. Admite-se que os números hoje associados a esse crime representem apenas parte dos casos devido à subnotificação. A situação de violência está associada a lesões físicas, transmissão de doenças, risco de gravidez, além de sequelas psicológicas e emocionais com grande impacto na vida da vítima. A abordagem inicial de uma criança ou adolescente vítima de violência deve ser extremamente cuidadosa, tendo em vista a complexidade da situação, devendo envolver anamnese e exame físico cautelosos, coleta de exames, realização de profilaxias, contracepção de emergência quando indicado e notificação do caso, além de garantir o acompanhamento do mesmo. Diante de tal panorama, é de extrema importância que o profissional de saúde esteja preparado para o manejo adequado e para evitar a revitimização durante o atendimento. Este trabalho tem como objetivo propor uma rotina de atendimento inicial de crianças e adolescentes vítimas de violência sexual

A experiência de amamentação em crianças com hérnia diafragmática congênita ou atresia de esôfago

A experiência de amamentação em crianças com hérnia diafragmática congênita ou atresia de esôfago

The experience of breastfeeding infants affected by congenital diaphragmatic hernia or esophageal atresia.Salvatori G, Foligno S, Massoud M, Piersigilli F, Bagolan P, Dotta A.Ital J Pediatr. 2018 Jul 3;44(1):75. doi: 10.1186/s13052-018-0509-6.PMID: 29970173.Free PMC Article.Similar articles. Artigo Livre!

Apresentação: Letícia Rodrigues de Moraes,R4 em Neonatologia do HMIB/SES/DF. Coordenação: Carlos Alberto Zaconeta.

A porcentagem de aleitamento materno exclusivo e complementar para crianças operadas para  atresia de esôfago (EA) e  hérnia diafragmática congênita (CDH) é baixa tanto durante a internação quanto após a alta hospitalar.  Estas taxas permanecem baixas após três meses de vida. Crianças com EA são amamentadas em menor frequência em comparação com aqueles com CDH.As principais barreiras à amamentação provavelmente estão relacionadas à cirurgia e ao curso perioperatório. Esse estudo mostra que é necessário melhorar as taxas de amamentação em recém-nascidos submetidos a cirurgia para CDH e EA já durante a hospitalização.

  • Um benefício adicional poderia ser alcançado, acompanhando também a expansão da “iniciativa hospital amigo da criança, dez passos” criado pela OMS para as UTINs [11, 12, 21], onde os bebês são hospitalizados após a cirurgia.
  • Aconselhamento pré-natal adequado, uma sala dedicada para ordenha da mama, método canguru, treinamento de enfermeiros e médicos e supervisão de consultores de lactação com certificação internacional  deveriam ser considerados padrões para os hospitais. Os autores também acreditam que seria útil apoiar a amamentação após a alta, seja com visitas clínicas e por meio de chamadas telefônicas.
Óxido nítrico no tratamento de prematuros com SDR grave e hipertensão pulmonar

Óxido nítrico no tratamento de prematuros com SDR grave e hipertensão pulmonar

Nitric oxide for the treatment of preterm infants with severe RDS and pulmonary hypertension.

Dani C, Corsini I, Cangemi J, Vangi V, Pratesi S.Pediatr Pulmonol. 2017 Nov;52(11):1461-1468. doi: 10.1002/ppul.23843.PMID: 29058384.Similar articles

Apresentação:

Milena Pires R3 Neonatologia/HMIB/SES/DF

Coordenação: Dra Adriana Kawaguchi

A Síndrome do Desconforto Respiratório-doença da membrana hialina (SDR) pode ser agravada pelo desenvolvimento concomitante de shunt extrapulmonar direita para a esquerda devido à hipertensão pulmonar (HP) ou shunt intrapulmonar devido a alterações na relação ventilação-perfusão. Nessa situação o óxido nítrico inalatório (NOi) pode melhorar a oxigenação pelo seu efeito vasodilatador, com diminuição da resistência vascular pulmonar. O estudo foi realizado em um único Centro em RN<30 semanas ou peso ao nascer <1250g, grave na primeira semana de vida, compreendendo 42 RN (28 com HP e 14 sem HP). O ecocardiograma foi realizado entre 12-24 horas. Foram considerados os responsivos ao tratamento com NOi quando apresentavam uma diminuição na FiO2 maior que 30% em 6 horas. Os bebês que responderam foram os que apresentaram maior peso ao nascer, maior FIO2 basal, maior IO (índice de oxigenação) e menor relação Saturação de O2/FiO2. Além disso, 90% dos lactentes que responderam ao NOi apresentavam HP em comparação com 48% dos RN sem HP que não responderam.  A regressão logística multivariada demonstrou que A análise de regressão logística multivariada  FiO2>65%, peso ao nascer>750g e a presença de HP associaram-se independentemente à resposta ao NOi. Nesse estudo a HP ocorreu em 67% dos pacientes com SDR grave. Assim, os autores acreditam  que a terapia com NOi não pode ser recomendada para o tratamento rotineiro de insuficiência respiratória em neonatos prematuros, mas o “uso clínico nessa população deve ser deixado a critério clínico”, para o qual o diagnóstico de HP deve ser considerado.

Nos complementos (links) trouxemos uma revisão seletiva sobe 1) o papel do NOi na prevenção da displasia broncopulmonar-DBP (o NOi não reduz a taxa de DBP em prematuros, independentemente da precocidade da gravidade da doença respiratória) 2) displasia broncopulmonar associada à hipertensão pulmonar (DBP-HP) cuja incidência  varia entre de 8% a 42% (a HP  no 7º dia de vida e a tardia, com 36 semanas pós-menstrual). Quanto à etiologia da HP na DBP provavelmente se deva à lesão precoce no desenvolvimento pulmonar, com  piora da alveolarização e a angiogênese e evidências indicam que o prematuro extremo produz um atraso no desenvolvimento dos vasos pulmonares. A exposição a altas concentrações de oxigênio leva a remodelação e parada do desenvolvimento de pequenos vasos pulmonares, produzindo disfunção vascular e hipertensão pulmonar. Entre os fatores de risco se destacam o sexo masculino, menores idades gestacionais  e peso ao nascer, além de pequeno para a idade gestacional, FiO2>30% aos 10 dias de vida. A ausência de HP aos 7 dias de vida associou-se a um risco muito baixo de HP tardia associada à DBP. Essa é a razão pela qual se especula a realização de ecocadiogramas precoces em prematuros de alto risco para DBP e HP tardia para futuros estudos preventivos e terapêuticos. Maiores valores do CRIB (Índice de Risco Clínico para Bebês) associaram-se significativamente com a maior ocorrência de  DBP-HP e níveis de saturação entre 90-95% versos 88-92%, com menor incidência de DBP-HP na 36ª semana de idade  gestacional pós-menstrual. No tratamento se destaca o uso do sildenafil, bloqueador da fosfodiesterase 5 (pode ter benefício na angiogênese!), mostrando seguro, com benefícios hemodinâmicos e diminuição da mortalidade, apesar de necessitar de mais estudos. Cautela com a ocorrência de hipotensão arterial!Usamos o sildenafil nas doses de 0,5mg/Kg/dose de 8/8 horas, aumentando para 1-2mg/kg/dose de 4/4 horas. Quanto ao NOi, segundo Belik, a nova tendência a dar o óxido nítrico inalatório para prematuros com displasia broncopulmonar  é uma tentativa de evitar esse bloqueio ou inibição do processo de angiogênese;  o óxido nítrico é um estimulador da angiogênese. Então a lógica de dar óxido nítrico por tempo prolongado nessas crianças não é com a finalidade de se obter a vasodilatação, mas sim promover a angiogênese. Encerramos discutindo a importância da ecocardiografia para o uso racional das drogas vasoativas na hipertensão pulmonar neonatal.

Analgesia e sedação no recém-nascido em ventilação mecânica/sequência rápida de intubação

Analgesia e sedação no recém-nascido em ventilação mecânica/sequência rápida de intubação

Paulo R. Margotto, Martha David Rocha Moura

Capítulo do Livro Assistência ao Recém-Nascido de Risco, 4a Edição, 2021

DEVEMOS USAR DE ROTINA ANALGÉSICOS NOS RECÉM-NASCIDO VENTILADOS?

Segundo Hall  e cl  para algumas terapias como drogas anticanceres, o benefício a longo prazo do tratamento é superior aos efeitos adversos. É este o caso para a analgesia em todo recém-nascido ventilado? A análise de importantes resultados de morte e evidências ultrassonográficas de lesão cerebral não mostrou melhora na morbimortalidade ou morbidade com o uso de opióide. Metanálise realizada por Bellú e cl (Cochrane) não demonstrou diferença entre os grupos com uso e não uso de morfina quanto a displasia broncopulmonar, enterocolite necrosante ou duração de internação hospitalar. Os recém-nascidos mais prematuros  que receberam morfina demoraram significativamente mais tempo para atingirem a nutrição enteral plena em relação aos controles. Inclusive dados de longo follow-up (5-6 anos) não mostrou diferença significante no neurodesenvolvimento entre as crianças que receberam e as que não receberam morfina. No entanto, de Graaf e cl mostraram evidência de efeitos negativos da morfina na função cognitiva nas crianças aos 5 anos de idade que receberam morfina na ventilação mecânica no período neonatal. Portanto, os opióides nos RN em ventilação mecânica devem ser usados seletivamente, quando indicado pelo julgamento clínico e pelas avaliações dos indicadores de dor e somente após a estabilização do paciente, apesar da ventilação mecânica constituir uma intervenção dolorosa e desconfortante. A terapia com narcóticos para os RN ventilados só pode ser considerada provada e eticamente mandatória somente se o seu valor estiver estabelecido em um ou mais ensaios randomizados e cegos com número suficiente de RN para avaliar todos os benefícios potenciais e efeitos adversos.

Variações no alvo de saturação de oxigênio e Triagem da retinopatia da prematuridade ,Retinopatia da Prematuridade e Critérios de tratamento Na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal: uma pesquisa internacional

Variações no alvo de saturação de oxigênio e Triagem da retinopatia da prematuridade ,Retinopatia da Prematuridade e Critérios de tratamento Na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal: uma pesquisa internacional

Variations in Oxygen Saturation Targeting, and Retinopathy of Prematurity Screening and Treatment Criteria in Neonatal Intensive Care Units: An International Survey.Darlow BA, Vento M, Beltempo M, Lehtonen L, Håkansson S, Reichman B, Helenius K, Sjörs G, Sigali E, Lee S, Noguchi A, Morisaki N, Kusuda S, Bassler D, San Feliciano L, Adams M, Isayama T, Shah PS, Lui K; on behalf of the International Network for Evaluating Outcomes (iNeo) of Neonates.Neonatology. 2018;114(4):323-331. doi: 10.1159/000490372. Epub 2018 Aug 8.PMID: 30089298.Similar articles.

Apresentação: Bárbara Valadão Junqueira, Eduarda Vidal Rollenberg  e Tayane Oliveira Pires. Coordenação:Paulo R. Margotto.

  • A incidência de retinopatia da prematuridade-retinopaty of prematurity (ROP) no recém-nascidos (RN) entre 24-27 semanas, varia em diferentes Centros Neonatais (4,4 a 30,4%). Diferentes práticas de cuidados  e critérios de tratamento estão entre os possíveis fatores contribuintes nessas variáveis observadas. No entanto recentes publicações  sobre os alvos de saturação de oxigênio (SpO2) em prematuros tem feito com que muitos Centros tenham revisto e mudado seus alvo alvos. Na identificação de possíveis fatores contribuintes para a  variação observada nas taxas de ROP graves e tratadas, os pesquisadores analisaram os dados do Centro Internacional para Avaliação de Resultados em Neonatos (iNeo), com participação de 390 Centros de 11 países. Foram especificamente avaliada a saturação limite de oxigênio e qualquer mudança recente, o critério para rastreamento da ROP, os exames iniciais de retina, o uso de fotografias digitais e os critérios de tratamento. Os autores identificaram  uma variação considerável nas metas de SpO2, tanto dentro das Redes quanto entre os países, apesar das recentes mudanças feitas por muitas UTI Neonatais para adotar metas mais altas de SpO2, com o limite superior mais frequentemente estabelecido em 94-95%, e o limite inferior em 90%, além de uma tendência a reduzir os alvos de SpO2. Há também  considerável variação nos critérios para a  triagem  e tratamento para retinopatia da prematuridade dentro das Redes como entre os países.  Em 2015, em comparação com o estudo anterior, menos UTI Neonatais definiram seus alvos como > 95% ou < 85%. Pesquisas colaborativas em andamento são necessárias para identificar e monitorar os efeitos das mudanças nas práticas neonatais e otimizar os resultados para bebês muito prematuros. Nos links uma trajetória de 13 anos sobre esse importante tema na UTI Neonatal: do estudo SUPPORT, cuidados devem ser tomados quanto aos alvos de saturação de oxigênio, uma vez que os baixos níveis podem levar ao aumento da mortalidade (aumento de 1 morte para cada 2 casos de retinopatia severa evitados no grupo com menores alvos de saturação de oxigênio.
  • Segundo Bancalari, a saturação do oxímetro de pulso está nos fornecendo valores que variam 2-3% acima da saturação verdadeira medida pela gasometria arterial. Não há uma resposta clara do porque deste erro, entretanto é mais uma razão para evitarmos saturações muito baixas, pois a saturação do oxímetro pode estar  superestimando a saturação verdadeira, podendo ser que a PaO2 deste RN seja muito mais baixa  que ele esteja tendo e muito baixo do que realmente pensamos estar numa faixa de conforto par este bebê. RN em uso de dopamina, a SpO2 é maior que a Saturação de O2 pela gasometria! Segundo Sola, temos que evitar a HIPEROXEMIA (a causa dessa somos nós mesmos e assim, esse problema está em nossas mãos!). Altos níveis de oxigênio associam-se a severas morbidades, como displasia broncopulmonar,  deficiente crescimento, déficits visuais, paralisia cerebral, desabilidades neurossensoriais e cognitivas, deficiências comportamentais e educacionais, além do aumento do risco de câncer na infância (RR: 2,87;IC a 95%: IC 95% 1.46- 5.66). Segundo Sausgtad, restringir a suplementação de oxigênio na esperança de reduzir a morbidade não tem nenhum benefício importante e tem um risco de mortalidade inaceitável. A mortalidade e enterocolite necrosante (NEC) são significativamente maiores em pacientes com baixa saturação (risco relativo, RR 1,16 e 1,24, respectivamente), enquanto a retinopatia da prematuridade (ROP) é ​​reduzida (RR 0,74), felizmente sem alteração taxa de cegueira.  O “dilema do oxigênio” nos  bebês imaturos não está ainda resolvido, mas parece razoável priorizar a sobrevivência e menos enterocolite necrosante e retinopatia da prematuridade, que muitas vezes é tratável. Portanto, as metas de saturação devem ter como meta 90-94 / 95%. Limites de alarme deve ser apertado, por exemplo 89 e 95%. Bebês com restrição do crescimento intrauterino bebês devem ser mantidos com níveis elevados  dentro desta faixa, tentando evitar flutuações especialmente durante os primeiros 3 dias de vida. Metanálise recente de Askie mostrou que a menor faixa alvo de SpO2 foi associada a um maior risco de morte e enterocolite necrosante, mas um menor risco de tratamento de retinopatia da prematuridade. Entre nós em outubro de 2018, o Dr. Guilherme Sant`Anna (Canada) trouxe-nos a ideia do PROJETO COALA (Controlando Oxigênio Alvo Ativamente),  com alarmes entre 89% e 95%,devendo ser colocado em cada monitor da Unidade. Segundo Sola, o oxigênio é a droga mais usada na Neonatologia, por isto que é difícil modificar os hábitos. A questão é descobrir os erros e não a verdade (Karl Popper). A verdade é mutável. Temos sempre que descobrir os erros na nossa Unidade de Neonatologia e à luz das evidências, corrigí-los diuturnamente.